quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 10: Something To Find Out

             
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                     Assim que tive alta do hospital, fui levada para a casa, aos cuidados da tia Zoe, pois, ela não queria me deixar só depois do que aconteceu. Grace e Harry concordaram plenamente e prometeram que dariam todo o suporte necessário mesmo sem minha vontade. Eu não entendia o porquê de tanta preocupação. Foi um grave acidente eu sei, mas isso acontece com muitas pessoas, todos os dias. Eu já estava melhor e me viraria bem sozinha, mas, no início, não foi fácil convencer minha tia..

                Na primeira noite, assistimos TV e acabei adormecendo no sofá de tanto tédio. E tive um sonho incrível.

Estereótipo do campo florido do sonho de Amber


                Eu acordava em um campo florido, ensolarado e lindo. Podia admirar a beleza das flores e a fauna presente. Os passarinhos ecoavam uma bela harmonia, o que me deixou fascinada. Levantei-me e fui andando em volta na tentativa de encontrar alguém. Alguns passos à frente, eu via pessoas reunidas em um círculo como se estivessem meditando. Eu me aproximo e ouço uma voz familiar:

                -Amber, minha filha! Como é bom ter ver novamente!


Girei os calcanhares e vi minha mãe. Ela estava linda, não havia arranhões, suas roupas não estavam banhadas de sangue e ela parecia serena e amigável. A emoção tomou conta de mim. Fui ao seu encontro e a abracei forte. Isso foi inacreditável porque pude sentir seu toque. Aquilo era tão real, que me deixava confusa.

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                -Mãe, como eu sinto sua falta! Por que você teve que ir? Por que me abandonou? Você e o papai, de uma só vez? Isso não é justo. Eu sinto muita saudade, um vazio no meu coração que nunca será preenchido. Eu estava entre soluços, com o rosto banhado pelas lágrimas.

Ela puxou o meu queixo e sorriu dizendo:

                -Querida, infelizmente, certas coisas precisam acontecer. Nosso destino está escrito em nossas ações. Naquela noite, chovia muito e eu estava discutindo com seu pai sobre o nosso futuro e o meu comportamento diante de tudo o que acontecia. Nosso casamento estava uma bagunça e não queria te contar, pois você jamais entenderia. A vida dos adultos é complicada. Nosso carro foi atingido por uma grande carreta que vinha no sentido contrário. Ela despedaçou nosso carro que, pegou fogo em seguida, e morremos presos às ferragens. Sua tia nunca te contou porque não queria que você sofresse pensando neste trágico fim. Ela olhava para mim com compaixão, suas mãos eram macias como uma seda.

                -Mãe, eu quase tive o mesmo fim, só não entendo porque estou de volta. Eu deveria ter morrido também, assim ficaria próximo a vocês. Eu não sofreria mais. Seria feliz eternamente em seus braços, disse, abraçando-a mais uma vez.

Ela me segurou, fitou meus olhos, seriamente. Quando fazia isso, significava que estava pedindo minha atenção. Eu retribuí o olhar, aguardando a sua resposta.

                -Querida, esta foi uma peça pregada pelo destino. Ainda não é a sua hora. Se você está neste outro mundo, é porque ainda tem algo a fazer. E você sabe que precisa de calma e sabedoria. Mas, isso você tem. Aguarde, pois, coisas maravilhosas acontecerão. E quando for a hora, acredite em mim, você não vai querer se despedir destas pessoas. Ela me beijou na testa e me abraçou. Depois disse que tinha que ir. Neste momento, eu acordei assustada. O dia havia amanhecido e eu tinha que retornar à agência. Eu me levantei e vi tia Zoe preparando o café da manhã. Limpei minhas lágrimas quando notei que ela estava se aproximando.

                -Que bom que levantou. Detesto ter que te acordar. Você é uma pessoa tão ocupada. Suspirou ela, olhando para mim.

Olhei para ela e lembrei-me do que minha mãe havia dito. Larguei as cobertas, sentei-me no sofá e comecei a respirar fundo entre soluços.

                -Tia, disse eu, sentindo meus olhos marejarem. – Essa noite eu tive um sonho estranho. Sonhei com a mamãe. Parecia tão real, sabe? Ela me abraçava com carinho e me disse o porquê dela ter partido. Disse também que, você sabia do acidente, mas, não queria me contar em respeito à minha dor. Eu era nova e não entenderia algumas coisas, como a discussão entre eles, minutos antes da batida. Sobre o que eles discutiam? Eles pensavam em se divorciar? Você era irmã dela, você sabia de alguma coisa. Por que não contar agora? Estou aqui e vou ouvir. Segurei as mãos da minha tia, esperando uma resposta positiva, mas ela balançou a cabeça.

                -Por favor, Amber, esqueça. É muita loucura. Ela nunca disse nada para mim, eu juro. Se soubesse, já teria te contado. Ela quer que eu invente algo para justificar a discussão dos seus pais. Só sei que eles estavam se divorciando por causa de uma traição. Não sei quem era a amante de seu pai, mas ela não teve nenhuma ligação com o acidente. É só o que sei. Ela se levantou e cruzou os braços. – Acho que você deve se arrumar para ir trabalhar.

                -Qual era o nome dela? Como ela era? MINHA MÃE SOFREU MUITO POR CAUSA DESTA CRETINA NÃO FOI? Gritava eu, tentando conseguir alguma explicação.

                -Eu não sei, Amber! Não sei! Eles nunca me contaram sobre ela. Tratava-se de uma estagiária do escritório do seu pai. Quando sua mãe soube, resolveu tirar satisfações com seu pai, só que não na minha frente. Pediu que eu ficasse com você, enquanto eles saíram para jantar. E foi aí que o desastre ocorreu. Fiquei sabendo algumas horas depois e entrei em choque. Por favor, não me faça trazer este assunto de volta. É tão amargo, triste e repulsivo.

                -Quem é a filha dela? Onde mora? Eu irei encontrá-la! Exclamei eu, andando atrás de Zoe, que tentava se livrar do assunto.

                -Bom, isso eu não sei, mas tenho uma foto da estagiária. Ela foi até o seu quarto e trouxe um envelope. – Isto é tudo o que eu tenho Amber. Não faço idéia de onde ela esteja agora. Entretanto, no dia do enterro, eu a vi de longe com uma menina. Logo, concluí que era a sua filha. Tentei me aproximar, mas ela se afastou. Desde então, nunca mais a vi. Seu paradeiro é desconhecido. É tudo, Amber. Agora sugiro que você se arrume para o trabalho.

                Subi as escadas rapidamente, tomei um banho, troquei de roupa, tomei um rápido café e antes de me despedir de Zoe disse:

                -Não me espere para o jantar. Vou pesquisar sobre esta mulher. Preciso saber o que minha mãe não quis me contar. Eu apontava para a foto, antes de guardar na bolsa. Zoe me olhou confusa e disse alguma coisa, mas eu não a ouvi.
Entrei no carro e respirei fundo. Eu precisava ser cautelosa neste momento. Dei partida e segui rumo ao meu retorno na agência.

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