quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 9: Just In Time

               
Créditos: fashion.me

                -O que eu tenho que fazer? Perguntei, ansiosa.

                -Não muito. Mas não sei se aceitará. Disse a voz, em tom grave.

Acho que a voz estava falando sobre mudar as minhas atitudes. Mudar quem eu era. Apagar aquela personalidade de mulher altiva, mandona e ríspida com as pessoas, dando lugar a uma pessoa mais flexível, diplomática e serena.

                -Se for sobre mudar quem eu, saiba que isso não acontecer. É impossível mudar quem eu sou. Minha voz imperava e eu estava decidida.

                -Não, não é Amber. Sempre podemos ser melhores do que somos. Mas VOCÊ PRECISA ACEITAR isso, caso contrário, não adiantará de nada. O tom da voz era categórico e eu senti um desconforto.

                -Bom, e se eu não aceitar nada disso?

                -Sua tia entrará em uma tristeza profunda e a sua amiga Grace se sentirá culpada pelo resto da vida. Isso sem contar no fim trágico da sua agência. Quer dar uma olhada no futuro?

O medo tomou conta de mim, gelando minha espinha. Minha agência na miséria? Minha tia Zoe deprimida e Grace culpada pelo resto da sua vida? Isso não seria bom. Nada bom. Além do mais, eu jamais descansaria em paz sabendo disso. Acho que dessa vez eu teria que ceder.

                -Tudo bem. Faremos do seu jeito. Eu vou voltar. Mas preciso da sua ajuda.

                -Eu não te ajudarei porque você sabe o caminho a ser seguido. Sabe exatamente o que fazer. Só precisa fazê-lo Srta. Não prolongaremos essa conversa, pois, não há necessidade. Está preparada? Essa era sua última pergunta.

                -Eu me lembrarei dessa conversa? Como explicarei para as pessoas sobre isso? Eu estava ansiosa. Ainda tinha muitas dúvidas.

                -Você não se lembrará de nada. E não se preocupe. Tudo será explicado. Você não precisará dizer uma palavra sequer. Agora, despeço-me. Quando sua missão estiver perto do fim, você saberá por meio de outros elementos que se agregarão em seu caminho. Espero que cumpra isso, tente ser feliz, amar aos outros e a si mesma, Amber Hünderberg. Adeus.

Abaixei a cabeça e senti a rajada de vento mais uma vez. Estava sendo arrastada novamente. Dessa vez, a força foi tão intensa que desmaiei, se é que isso seja possível. Abri os olhos e meu corpo doía muito. Eu não conseguia mover absolutamente nada. Minha cabeça estava explodindo de dor. Eu estava me sentindo péssima. Ouvi uma voz serena e feminina.

Estereótipo da personagem Sarah Witman
Créditos: www.hgi.com.br

                -Bom dia, Srta. Hünderberg! Meu nome é Sarah Whitman e cuidarei de você enquanto estiver aqui. Qualquer problema, somente aperte esse botão e viremos atendê-la.

                -Cadê a minha tia Zoe? Ela ainda está aqui Sarah? Perguntei com a voz fraca, ainda em dor.

                -Sim, ela está lá fora. Estava muito nervosa e recomendamos que fosse para casa, mas ela não quis. Disse que ficaria aqui até que você acordasse. Ela preparava a medicação, enquanto conversava comigo.

                - Como eu sobrevivi? Eu não estava morta? Eu não sentia mais nada. Como conseguiram me salvar? A ansiedade por respostas me deixava nervosa.

                -Acalme-se. Não queremos que você se estresse. Apenas lhe digo que sofreu um grave acidente e passou por uma cirurgia delicada. Seu baço foi retirado e parte de seu intestino sofreu uma modificação. Mas você vai sobreviver. Se quiser conversar com o médico que cuida de você, podemos fazer isso depois. MAS SÓ DEPOIS. Ela havia sido objetiva nesse ponto.

                -Quero ver minha tia. Tem mais alguém lá fora?

                -Sim. Duas pessoas que dizem conhecer você. Estavam muito preocupados, pois, achavam que você havia morrido na cirurgia. Que bom que isso não aconteceu, não é mesmo? Nesse momento, ela sorriu e já estava se retirando.

                Antes que eu pudesse pensar no que dizer para Zoe e os demais, eles chegaram rapidamente e se emocionaram ao me verem ali. Eu não estava bem, mas estava viva. Grace segurava a minha mão. Para minha surpresa, Styles aparecia por trás da minha Zoe em um sorriso tímido, mas, verdadeiro.

                -Amber, como você está? Está sentindo dor? Perguntou minha tia, demonstrando preocupação.
                -Estou dolorida tia, mas isso faz parte. Disseram que eu sofri um grave acidente e que sobrevivi como que em um milagre, não é?

                -Sim. Você estava irreconhecível. Eu chorava tanto, tanto. Achei que tivesse te perdido. Essa seria uma dor que eu jamais suportaria, disse ela, enxugando as lágrimas.

                -Sua tia me ligou e eu vi no noticiário. Quando soube que você estava à beira da morte, entrei em choque e me desesperei. Eu não parava de pensar nas coisas que havia dito a você. Como pude ter sido tão cretina? Mil perdões, Srta. Hünderberg. Grace ainda segurava a minha mão, fitando-me emocionada.

                -Quando eu sair daqui, faremos algumas mudanças. Eu quero vocês de volta na minha agência, certo? Disse eu, olhando para Grace e Harry.

Eles se entreolharam e sorriram para mim. Harry pediu licença a Grace e se aproximou de mim. Ele estava sem os óculos e pude perceber que seus olhos estavam cansados e inchados, mas, ainda refletiam toda a beleza.  Uma parte daquelas emoções foi causada por mim. Eu o olhei, com pena, por ter sido tão insensível. E antes que pudesse pedir desculpas, ele beijou minha testa e disse:

                -Muito obrigado por me dar essa chance. Eu sei que esse não é o momento, mas estou muito feliz por voltar ao time. Eu rezei muito para que você não morresse. Nós precisamos muito de você, muito mesmo.

Aquilo me emocionou. Segurei as lágrimas e chamei todos para um abraço coletivo. Eu nunca havia feito isso, mas sabia que, naquele momento era o que eu mais precisava.



Nenhum comentário:

Postar um comentário