-O que eu tenho que fazer? Perguntei, ansiosa.
-Não
muito. Mas não sei se aceitará. Disse a voz, em tom grave.
Acho que a voz estava falando sobre mudar as minhas
atitudes. Mudar quem eu era. Apagar
aquela personalidade de mulher altiva, mandona e ríspida com as pessoas, dando
lugar a uma pessoa mais flexível, diplomática e serena.
-Se for
sobre mudar quem eu, saiba que isso não acontecer. É impossível mudar quem eu sou. Minha voz imperava e eu estava
decidida.
-Não,
não é Amber. Sempre podemos ser melhores do que somos. Mas VOCÊ PRECISA ACEITAR
isso, caso contrário, não adiantará de nada. O tom da voz era categórico e eu
senti um desconforto.
-Bom, e
se eu não aceitar nada disso?
-Sua
tia entrará em uma tristeza profunda e a sua amiga Grace se sentirá culpada
pelo resto da vida. Isso sem contar no fim trágico da sua agência. Quer dar uma
olhada no futuro?
O medo tomou conta de mim, gelando minha espinha. Minha agência na miséria? Minha tia Zoe
deprimida e Grace culpada pelo resto da sua vida? Isso não seria bom. Nada bom.
Além do mais, eu jamais descansaria em paz sabendo disso. Acho que dessa vez eu
teria que ceder.
-Tudo
bem. Faremos do seu jeito. Eu vou voltar. Mas preciso da sua ajuda.
-Eu não
te ajudarei porque você sabe o caminho a ser seguido. Sabe exatamente o que
fazer. Só precisa fazê-lo Srta. Não prolongaremos essa conversa, pois, não há
necessidade. Está preparada? Essa era sua última pergunta.
-Eu me
lembrarei dessa conversa? Como explicarei para as pessoas sobre isso? Eu estava
ansiosa. Ainda tinha muitas dúvidas.
-Você
não se lembrará de nada. E não se preocupe. Tudo será explicado. Você não
precisará dizer uma palavra sequer. Agora, despeço-me. Quando sua missão
estiver perto do fim, você saberá por meio de outros elementos que se agregarão
em seu caminho. Espero que cumpra isso, tente ser feliz, amar aos outros e a si
mesma, Amber Hünderberg. Adeus.
Abaixei a cabeça e senti a rajada de vento mais uma vez.
Estava sendo arrastada novamente. Dessa vez, a força foi tão intensa que
desmaiei, se é que isso seja possível. Abri
os olhos e meu corpo doía muito. Eu não conseguia mover absolutamente nada. Minha cabeça estava explodindo de dor. Eu
estava me sentindo péssima. Ouvi uma voz serena e feminina.
-Bom
dia, Srta. Hünderberg! Meu nome é Sarah Whitman e cuidarei de você enquanto estiver
aqui. Qualquer problema, somente aperte esse botão e viremos atendê-la.
-Cadê a
minha tia Zoe? Ela ainda está aqui Sarah? Perguntei com a voz fraca, ainda em
dor.
-Sim,
ela está lá fora. Estava muito nervosa e recomendamos que fosse para casa, mas
ela não quis. Disse que ficaria aqui até que você acordasse. Ela preparava a
medicação, enquanto conversava comigo.
- Como
eu sobrevivi? Eu não estava morta? Eu não sentia mais nada. Como conseguiram me
salvar? A ansiedade por respostas me deixava nervosa.
-Acalme-se.
Não queremos que você se estresse. Apenas lhe digo que sofreu um grave acidente
e passou por uma cirurgia delicada. Seu baço foi retirado e parte de seu
intestino sofreu uma modificação. Mas você vai sobreviver. Se quiser conversar
com o médico que cuida de você, podemos fazer isso depois. MAS SÓ DEPOIS. Ela
havia sido objetiva nesse ponto.
-Quero
ver minha tia. Tem mais alguém lá fora?
-Sim.
Duas pessoas que dizem conhecer você. Estavam muito preocupados, pois, achavam
que você havia morrido na cirurgia. Que bom que isso não aconteceu, não é
mesmo? Nesse momento, ela sorriu e já estava se retirando.
Antes
que eu pudesse pensar no que dizer para Zoe e os demais, eles chegaram rapidamente
e se emocionaram ao me verem ali. Eu não estava bem, mas estava viva. Grace
segurava a minha mão. Para minha surpresa, Styles aparecia por trás da minha
Zoe em um sorriso tímido, mas, verdadeiro.
-Amber,
como você está? Está sentindo dor? Perguntou minha tia, demonstrando
preocupação.
-Estou
dolorida tia, mas isso faz parte. Disseram que eu sofri um grave acidente e que
sobrevivi como que em um milagre, não é?
-Sim.
Você estava irreconhecível. Eu chorava tanto, tanto. Achei que tivesse te
perdido. Essa seria uma dor que eu jamais suportaria, disse ela, enxugando as
lágrimas.
-Sua
tia me ligou e eu vi no noticiário. Quando soube que você estava à beira da
morte, entrei em choque e me desesperei. Eu não parava de pensar nas coisas que
havia dito a você. Como pude ter sido tão cretina? Mil perdões, Srta.
Hünderberg. Grace ainda segurava a minha mão, fitando-me emocionada.
-Quando
eu sair daqui, faremos algumas mudanças. Eu quero vocês de volta na minha
agência, certo? Disse eu, olhando para Grace e Harry.
Eles se entreolharam e sorriram para mim. Harry pediu
licença a Grace e se aproximou de mim. Ele estava sem os óculos e pude perceber
que seus olhos estavam cansados e inchados, mas, ainda refletiam toda a beleza. Uma parte
daquelas emoções foi causada por mim. Eu o olhei, com pena, por ter sido
tão insensível. E antes que pudesse pedir desculpas, ele beijou minha testa e
disse:
-Muito
obrigado por me dar essa chance. Eu sei que esse não é o momento, mas estou
muito feliz por voltar ao time. Eu rezei muito para que você não morresse. Nós
precisamos muito de você, muito mesmo.
Aquilo me emocionou. Segurei
as lágrimas e chamei todos para um abraço coletivo. Eu nunca havia feito isso, mas sabia que, naquele momento era o que eu
mais precisava.


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