quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Jar Of Memories- Capítulo 3: Cold Me

Estereótipo da agência de Amber
Créditos: www.bethaespaco.com,br

              O dia estava terminando. Finalmente, pois queria ir para a casa, tomar um banho e descansar. Não agüento ver essa tonelada de papéis na minha frente. Resolvi abrir a porta do armário mais próximo e os empilhei, para manter a ordem. Recolhi meus itens pessoais e quando estava pronta para deixar o escritório, Grace bate à porta.

                -Entre Grace, o que você quer? Perguntei, impacientemente.

                -Gostaria de saber o resultado da entrevista. Quem você contratará? Perguntou, esperançosa.

                -Não entendo esse seu interesse nessa entrevista. Isso será uma decisão minha e ainda tenho a semana inteira para pensar no assunto. Meu tom foi áspero, mas eu já estava cansada de toda essa curiosidade.

                -Ok, Srta. Hünderberg, perdoe-me a intromissão. É porque todos na agência precisam de urgente de um planejador. O número de campanhas a serem entregues tem aumentado consideravelmente. Saiba que isso é uma dúvida de todos, não somente minha, ponderou ela, olhando para baixo. – Já estou de saída, deseja alguma coisa?

                -Não Grace. Vá em paz. Estou saindo também, preciso descansar. Até amanhã.

Eu estava cansada, era só isso. E quanto estou assim fico mais mal-humorada. Algumas pessoas não entendem isso e acham que devo estar bem sempre. Eu não vou fingir que estou bem porque não me encontro nessa condição. É tão difícil de entender?

                Segui para o estacionamento, sem olhar para ninguém, quanto mais me despedir. Entrei no carro e parti para casa, rapidamente. Furei alguns sinaleiros e quase me acidentei. É a pressa, somente pressa de estar em meu lugar.

Cheguei em casa, joguei minha bolsa no sofá e ouvi alguém perguntando pelo meu nome:

                -Amber Lynn Hünderberg, é você?

                -Boa noite para você também, tia Zoe. Como foi seu dia? Direcionei-me  até a geladeira onde peguei um chá gelado e o tomei ali mesmo.

                -Foi bom, muito bom. Já preparei nosso jantar. Você está bem? Ela se aproximou de mim, preocupada.

                -Sim, só estou cansada e não vou jantar. Meu dia foi desgastante.

                - Você precisa de alguém para cuidar de você. Ela me abraçou e pude sentir que estava falando a verdade. Eu a abracei de volta, sem muita reação.

                -Tia, eu estou bem. Estou apenas com uma dor de cabeça. Não é nada de mais, acredite.

                -Por favor, não afaste minha companhia, Amber. Eu sou sua única família agora, lembra? Seus olhos claros fixavam-se nos meus e me emocionei.

                -Não comecemos a falar de coisas ruins, por favor. Sofri muito, mas, não posso mudar os fatos. Sinto muito. Minha resposta foi fria e evitei olhar nos seus olhos, pois se o fizesse eu choraria ainda mais.
Ela sorriu e sentou no sofá, sugerindo que eu fizesse o mesmo com um gesto. Aquilo já era prenúncio de uma longa conversa. Sobre o meu passado. Oh, não...

                -Seus pais morreram de tragicamente, em um terrível acidente. É normal que se sinta desamparada e que ignore a preocupação das pessoas, mas, essa não é você, Amber. Você sabe que sempre podemos melhorar quem somos - Dizia ela, segurando meu rosto, carinhosamente.

                -Tia, que papo é esse? Por que você está dizendo isso? Este discurso piegas de novo? Eu olhei para ela, irritada.

                - Eu não estou dizendo isso por causa de alguma coisa. Apenas acho que deveria tratar melhor as pessoas, não acha? Perguntou, arqueando uma sobrancelha.

                -Eu trato todo mundo bem, tia Zoe. E pare com essas coisas, ok? Boa noite e durma bem. Tirei sua mão de meu rosto, dei um fraco sorriso e subi para tomar um banho. Depois disso, fui para a cama, pensativa.


Por que pandemônios minha tia estava conversando aquilo comigo? Eu tenho medo de quando ela começa a falar sobre meus pais. Até hoje, a morte deles nunca foi completamente esclarecida. Minha tia disse que eles morreram em um trágico acidente de carro quando voltavam para casa. Eu tinha dez anos, então só sabia chorar, pois sabia que não os veria novamente. Eu queria dizer o quanto eu sentia por ter sido uma péssima filha, por tê-los feito chorar por tantas noites, em que me entregava ao mundo e os deixava loucos de preocupação. Tudo aquilo não era justo comigo. Eu não tive a chance de consertar os meus erros? Não, não tive. E no dia do sepultamento, eu fiquei de cama, pois estava queimando em febre e não tinha condições de ficar em pé. Resumo da ópera: eu não os vi, depois de mortos. Isso me entristece porque eu queria dizer o meu adeus e pedir perdão, mas enfim, não pude. Guardo as boas lembranças de quando morávamos em Stuttgard, onde conhecíamos todos que nos cercavam. E também de quando íamos aos festivais ouvir uma boa música e dançar alegremente, sem malicias ou qualquer tipo de maldade. Infelizmente, em vinte anos, muita coisa mudou. Eu cresci, me tornei rígida, chata e odiada por muitos. E verdadeiramente conhecida por poucos: Minha tia é a única pessoa que conhece o meu processo de uma doce garotinha para uma mulher fria e calculista. Algumas lágrimas escorreram do meu rosto quando me lembrei de todo o passado e acabei adormecendo em meio aos soluços e a tristeza que invadia minha alma.
Estereótipo da tia Zoe Übermann
Créditos: alemakeart.blogspot.com

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