quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 6: Remember Us

Harry mostrando suas "ideias" para a campanha da agência


                O dia não poderia ter sido pior. Faltavam algumas horas para o término do expediente quando o web design bateu à minha porta dizendo que os colegas de trabalho estavam se desentendendo por causa de uma campanha. Aquilo me deixou nervosa e saí imediatamente para ver o que estava acontecendo. A princípio, achei que fosse loucura, mas, depois cheguei à conclusão de que Harry havia enlouquecido e queria nos levar a falência.

                -Isso é loucura! Amber jamais concordará com isso, pessoal! -Dizia Jasmine, quando abri a porta de repente, ao ouvir meu nome. Perguntei a eles o que tinha acontecido, mas, todos se negavam a explicar. Chamei Harry para a discussão. Ele chegou radiante e parece que não havia notado nada de errado entre nós.

                -Posso perguntar por qual motivo estou aqui? Digo isso porque estava muito empolgado com o meu novo plano. Os anteriores estavam um horror! Eu também modifiquei alguns roteiros, estavam muito monótonos. Essas campanhas precisam de vida! Ele olhava para cima, fazendo gestos e seus olhos brilhavam mesmo cobertos por um par de óculos lamentável.

                -Você ficou louco! A Srta. Hünderberg jamais concordará com isso! Reveja o plano antes que seja tarde demais, Harry! Jasmine Downson estava aparentemente nervosa.

Harry olhava para ela e tentava compreender seu pedido, enquanto Jasmine o encarava, aflita. Eu intervim, pois, já passava da hora de alguém tomar alguma providência e esse alguém ERA eu. Pedi a Harry que me explicasse os planos que ele tinha elaborado e Downson estava certa: Nunca havia lido tanta bobagem em toda a minha vida.

Eu cruzei os braços e disse que aquilo certamente não aconteceria. Nem ali, nem durante o meu período como presidenta da empresa. A simples idéia de contratar aquela “tenista sueca” chamada Leeroy para desenvolver uma coreografia sobre ceras líquidas para assoalhos não fazia o menor sentido. Bailarinas dançando ao som de uma sinfonia qualquer para demonstrar que o local brilha tanto e tudo acontece como em uma apresentação de ballet foi o cúmulo da bizarrice.

                -Sinto muito Styles, mas não aceitaremos o seu plano! -Dizia eu, séria.

                -Por que? Esse sempre foi uma idéia tão formidável para os outros publicitários, todos amaram a idéia. Só não conseguimos realizá-la em outros lugares por falta de verba, mas, aqui eu tenho certeza que você terá como transformar esse sonho em realidade. Harry juntou as mãos e levou-as ao ar como em um gesto celestial.

                -Sinto muito, a resposta ainda é não. -Cruzei os braços, já impaciente.

James percebeu que a tensão se instalara e tentou evitar um possível conflito, porém, eu o interrompi. ESTÁ NA HORA DE MOSTRAR QUEM MANDA NESSA DROGA AQUI!

                -Harry, eu sugiro que vá para casa, descanse e pense em algo melhor amanhã, ok? Já tivemos o suficiente por hoje!- Minhas palavras eram duras e decisivas.

                -Se preferir podemos trocar as bailarinas por dançarinos! Vocês poderiam ser os dançarinos e aí seria...
                -Eu serei curta e grossa: Não. A resposta é não. Seu amigo não vai desenvolver coreografia nenhuma porque isso não vai acontecer. Além disso, essa função de decidir o será minha, não sua. Não entendeu a loucura que está fazendo? Sua idéia é HORRÍVEL! NÃO BANQUE O ESTÚPIDO!

Seus olhos marejavam. Bom, aquilo era sinal de que, falei o que devia, mesmo que fosse dolorido. Cada um tem que saber o seu papel na sociedade e, ele tinha que saber o dele.

                O dia foi longo e resolvi encerrar o expediente naquele momento. Todos se retiravam apressadamente sem grandes despedidas. Já Harry, olhava para baixo ajeitando os óculos. Com certeza, eu havia sido extremamente ríspida, mas, não dei importância.

               Quando cheguei em casa, tia Zoe havia preparado o jantar e estava sobre um tapete, no chão, acendendo  incensos. Como eu odiava aquele fedor. Para ela, era como “entrar em um estado de espírito”. Segui calada para o meu quarto e fiquei refugiada em um álbum de recordações dos meus pais. Todas as fotos, desde época de namoro até a última semana de suas vidas. Eu olhava para cada uma delas atentamente e me perguntava como seria se eles ainda estivessem vivos? Morariam comigo? Apoiariam minhas decisões? Teriam cuidado mais de mim para que tratasse as outras pessoas melhor? Infelizmente, eu não sei, nem nunca saberei.  Aquelas fotos apenas se tratavam das melhores lembranças que eu tinha e das quais, com certeza, eu deveria me lembrar sempre.

Cidade onde Amber nasceu e cresceu, Sttugard, Alemanha.
Créditos: presse.stuttgard-tourist.de

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