domingo, 1 de dezembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 13: A Newspaper Article

       
         
                
                 Cheguei em casa e permaneci dentro do carro por um tempo. Fiquei relembrando os fatos daquele dia, principalmente minha saída para um café com Harry. Isso foi muito bom, pois, há muito tempo não saía com amigos ou colegas de trabalho. Desde que assumi a presidência e a propriedade da agência, as coisas tem sido muito corridas. Dificilmente eu tinha tempo e, quando isso acontecia, logo dava um jeito de preencher as lacunas. Queria ficar sempre ocupada para não ter que pensar nas minhas atitudes, na minha vida, tanto particular quanto pessoal. Não queria aproximação com o pessoal do trabalho. Sempre inventava uma desculpa para não aparecer nas confraternizações. Com o passar do tempo, fui deixando de ser convidada. E eu me senti mal. Mas, por quê? Eu nunca fui a nenhum desses eventos e nunca senti falta, e agora, estou me sentindo mal por ter sido esquecida?  Não consigo me entender, não mesmo.

                Fiquei pensando no quão bom foi conversar com Harry. Acho que estava me permitindo mais desde acidente. Aquelas conversas e minhas experiências de quase morte me deixaram bem apavorada. Se eu precisava mudar, consertar alguns erros e me tornar uma pessoa melhor, eu o faria. Seria capaz de qualquer coisa para ver minha mãe feliz novamente. Senti-la em meus braços ou sentir-me envolvida por ela, protegida contra qualquer mal. Senti-la beijar a minha testa, dizer o quanto me amava e o quanto sentia por aquilo ter acontecido. Ouvir sua voz serena e tranqüilizante. Oh Deus, como minha mãe fazia muita falta. Algumas pessoas não fazem idéia do quanto me considero culpada pelo que houve. Talvez, se eu tivesse sido uma filha mais compreensível, aquele acidente nunca teria acontecido. Entretanto, agora é tarde para me lamentar, mas não para tentar reparar alguns danos.

                Suspirei e olhei para o teto do carro. Em seguida, olhei para o banco do passageiro e dentro de um compartimento, vi o envelope com a foto da mulher misteriosa. Havia tanto trabalho a ser feito na agência que não tive tempo para procurar sobre o paradeiro dessa desgraçada. Ela foi uma das grandes culpadas pela morte da minha mãe. Como eu desejava encontrá-la e dizer tudo que estava entalado na minha garganta. Infelizmente, eu ainda não continha nenhuma pista sobre o paradeiro dela. Grace poderia saber de alguma coisa e ela sabe, contudo, não irá me contar de maneira fácil. Eu precisava pressioná-la contra a parede para arrancar alguma informação. Só que eu não queria fazer isso. Tudo estava andando tão bem. Estávamos em paz, todos nós, sem brigas e rixas. Por que acabar com aquilo? Justo agora? Deve haver outro jeito. E eu vou descobrir.

                De repente, Tia Zoe aparece do lado de fora batendo no vidro. Eu saltei do banco e dei um berro. Coloquei as mãos no rosto e respirei fundo. Quando me recuperei, peguei minha bolsa e abri a porta do carro lentamente. Zoe me olhava preocupada.

                -Tia, quer me matar do coração? Como a senhora aparece assim do nada e bate na porta do carro assim? Disse eu, olhando fixamente para ela, esperando uma resposta.

                -Você demorou e achei que tinha sofrido outro acidente. Você não costuma demorar, Amber... Onde estava? Ela demonstrava interesse na resposta.

                -Com um amigo. Da agência. Acho que nós daremos muito bem. Eu dei um meio sorriso, mas ela não percebeu.

                -Oh, e desde quando você tem amigos? Mal tem colegas, quem dirá amigos! Quem é essa pessoa?
                -Ora, tia é um garoto. O nome dele é Harry. Ele parecia ser uma babaca, mas, é gente boa. 

Julguei o livro pela capa. Deus que me perdoe.

                -Hum... Sei algo sobre ele. Ela cruzou os braços e deu um sorriso, como se conhecesse Harry.

                -Como a senhora sabe tia? Nunca lhe falei sobre ele. Tem espionado a minha vida?

                -Eu o vi no dia do acidente. Ele apareceu alguns minutos depois da ambulância e me perguntou o que tinha acontecido. Expliquei a história, ele disse que te conhecia  e trocamos palavras enquanto você estava na cirurgia. Ficamos acordados grande parte da madrugada. Ele é muito gentil para alguém da idade dele.  Jovens como ele são tão imaturos, não é? Ela entrava em casa e se dirigia para a cozinha, enquanto eu a seguia silenciosamente. – O que vai querer para hoje, Amber?- Perguntou, segurando uma panela.
Por um momento, havia me esquecido sobre o hospital. Realmente, ele estava presente quando voltei da cirurgia. Ele parecia cansado, estava com olheiras e o penteado estava bagunçado. No entanto, ele sorriu quando me viu falando. Isso me impressionou muito.

                -Tia, acho que vou para cama. Estou cansada. Boa noite! Eu subi as escadas rapidamente e a ouvi resmungar alguma coisa. Não dei importância. Entrei no quarto, tomei uma ducha e fui para cama. Coloquei a foto da mulher no meu criado-mudo e fiquei pensativa sobre qual passo tomar para conseguir alguma informação. Nesse momento, reparo que ao fundo da foto, existe um carro particular. Tento decifrar a placa, mas esta se encontrava embaçada demais para anotar. Gravo apenas o modelo do carro e a cor. Pego o notebook e coloco informações sobre o modelo e a cor no local de busca. Para minha surpresa, encontro um resultado relacionado ao carro e a morte dos meus pais. Reparo que a reportagem é antiga, porém, foi restaurada pelo site do jornal. Consigo analisar mais fotos tiradas naquele dia, e em deles, consigo identificar a placa em um zoom. Anoto-a em um papel e salvo a página nos meus favoritos. Antes disso, releio a reportagem e me deparo com uma informação incrível: o nome da tal amante.

“Grave acidente mata casal Hünderberg e causa comoção em todo o país”
“Na noite de quatro de dezembro de mil novecentos e noventa e um, um trágico acidente põe fim à vida do casal Hünderberg, famosos pela companhia de propaganda mais rentável do país. John Hünderberg discutia com sua mulher, Amy Hünderberg, quando o carro rodou sobre a pista, molhada, por causa de uma forte chuva que caía sobre a cidade, batendo lateralmente contra uma grande carreta, incediando-o instantaneamente. O casal morreu incinerado entre as ferragens.
                Segundo alguns conhecidos, como Dianne King, amiga de Amy, o casal vinha discutindo por razões pessoais. John estava envolvido em um relacionamento paralelo com outra mulher chamada Tina Walters. Procurada pela equipe de reportagem deste jornal, ela nega qualquer envolvimento sobre o caso e alega não conhecer John. Entretanto, alguns colegas de trabalho de John afirmam conhecer Tina, pois ela trabalhava como estagiária durante a época do acidente e ainda, como assistente pessoal de John. Alguns relatam que a carga horária da estagiária se estendia por algumas horas a mais do que o previsto, além de ser flagrada em situação comprometedora com o dono da agência dentro de seu próprio carro. As fotos foram enviadas à nossa equipe, mas, Tina nega qualquer envolvimento, dizendo não ser ela, a jovem com longos cabelos escuros e um sorriso encantador que conversava animadamente e trocava carícias com o empresário. Em nota, lamentamos a perda do casal que deixa todos os bens em nome de sua filha, Amber Hünderberg, com apenas dez anos de idade. A empresa será administrada pelo irmão de John até a jovem adquirir a maioridade para assumir o controle da agência.
                Obrigada casal Hünderberg , por contribuir para a história da propaganda em nosso país.”

Por Amelia Judd


                Aquilo me deixou perplexa, mas, me dava muitas pistas para o próximo passo: procurar pela dona da reportagem: Amelia Judd.


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