sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 14: Amelia Judd

             

                Acordei determinada a encontrar essa tal de Amelia Judd. Passei a noite inteira procurando sobre ela e descobri bastante coisa: ela era uma das repórteres mais influentes da década de noventa, até publicar uma reportagem falsa de seqüestro para ganhar audiência. Resultado: acabou despedida do jornal mais respeitado do país. Sem dinheiro para pagamentos, ficou falida e se mudou para um subúrbio, distante do centro. Ela vivia na casa da irmã e trabalhava como empregada em uma mansão de um respeitado casal de médicos.
Estereótipo da personagem Amelia Judd na década de 90
Créditos: revistabemviver.blogspot.com

Eu teria que me deslocar até a periferia da cidade para encontrá-la. Isso antes dela sair para o trabalho.
                Desci das escadas sorrateiramente, peguei minha bolsa, deixei um bilhete para tia Zoe e parti. Quando estou entrando no carro, sou surpreendida por alguém tocando meu ombro. Desviro-me 
rapidamente e me deparo com Harry dando um pequeno sorriso.



                - O que você está fazendo aqui? Como sabe onde moro? –Indaguei, assustadíssima.

                -Perguntei a Grace. Depois de ontem, pensei que pudéssemos ser amigos. -Dizia ele, me oferecendo um café. Agradeci, franzindo o cenho, tentando compreender o que se passava.

                -Se você quiser, eu posso ir embora. Desculpe o transtorno. Harry se retirava, cabisbaixo e desapontado, quando pedi que ele ficasse. Eu precisava de ajuda com o caso da Amelia e ele seria uma ótima companhia. Espere, o que eu acabei de dizer? Oh, por Deus.

                -Não, por favor, fique! –Disse eu, enquanto arrumava alguns itens jogados dentro do carro, tentando colocá-los dentro de um compartimento. Ele se virou e sorriu, vindo em minha direção. Seus olhos brilhavam.

                - Eu posso saber o motivo deste sorriso? Quer ganhar alguma promoção na agência, não é? Eu estava em tom de brincadeira e seu semblante não mudou.

                -Eu gosto de sorrir. E de te ver sorrir. É tão lindo. Deveria fazer isso mais vezes. Eu parei o carro e nos encaramos. Ele desviou o olhar para meus lábios e fomos interrompidos por uma forte buzina que ecoava atrás do meu veículo. Por um momento, esqueci que estava dirigindo e que poderíamos sofrer algum acidente. Voltei minha atenção para o volante e dei um meio sorriso.

                Passamos em frente à agência e Harry achou estranho, o fato de não termos dobrado em seguida. Aquilo o desesperou um pouco.

                -Onde estamos indo Amber? Vai fazer alguma maldade comigo? Por favor, não faça isso, eu imploro! Ele ajeitava os óculos e seus olhos começaram a marejar, tentando se desvencilhar do cinto que o protegia.

                -Calma, eu não vou fazer maldade com você. Nós vamos a um lugar, mas tem que me prometer que vai guardar segredo, ok?

                -Por que eu devo guardar segredo? É algo muito grave?- Disse, recostando no banco, aliviado.

                -Quero fazer algumas perguntas à Amelia Judd. Ela conhece a história por detrás do acidente dos meus pais, em 1991 e também conhece o pivô da discussão, Tina Walters. Eu olhava para frente, concentrada, mas sentindo um aperto no peito. Toda vez que essa história vinha à tona eu me sentia culpada e triste. Respirei fundo e continuei olhando para frente. Não queria que Harry me visse chorando. Ele viu uma lágrima escorrer do meu rosto e limpou com o dedo polegar.

                -Eu entendo a sua dor Amber. Mas, ela não deve durar para sempre. São vinte anos de uma culpa que você não teve. Simplesmente aconteceu e...

                -SÃO VINTE E UM ANOS E AINDA NÃO SEI O QUE REALMENTE ACONTECEU, HARRY. SÃO 21 MÍSEROS ANOS QUE TENTO DESCOBRIR O QUE ACONTECEU E SOU IMPEDIDA DE CONTINUAR PORQUE ACHAM QUE ESTOU LOUCA, OBCECADA. ELES ERAM MEUS PAIS, DROGA! EU NÃO TIVE A OPORTUNIDADE DE APRECIAR A VIRTUDE DE SER FILHA E AGORA EU NÃO POSSO VOLTAR ATRÁS! Neste momento, estava em lágrimas, tentando lutar contra a dor, e todos os sentimentos que recaíam sobre mim.

                -Amber, eu estarei do seu lado, sempre, ok? Respire fundo e tente se orientar. Para onde nós vamos? Harry tentou me acalmar, ligando o GPS.

                 Mostrei a indicação em um papel e ele logo programou no aparelho, pois via graves possibilidades de errarmos o caminho. Estava em prantos e muito sensível. Ora estou nos céus, ora estou no inferno. Droga!
                Seguimos as indicações do GPS e logo chegamos ao destino. Um bairro bem abaixo do esperado. Entretanto, era organizado e encontramos Amelia com facilidade.
A casa onde ela morava era muito modesta. Havia somente um quarto, onde quatro pessoas dormiam: Amelia, a irmã, Ana e os seus dois filhos. Era simples, porém, organizado. Tudo estava em ordem e devidamente limpo. Amelia limpava as janelas quando paramos em sua porta. Ela me recebeu bem e ficou muito surpresa quando soube quem eu era. A foto do editorial em comparação àquela que via diante de mim era impressionante. Ela parecia muito mais velha, mais magra e os cabelos estavam brancos. Ninguém a reconheceria em lugar algum. Ela caiu no ostracismo.

                -Estou muito supresa Srta. Hünderberg. Acredito que esteja aqui após ler a minha reportagem de 22 anos atrás e tentar descobrir quem é a misteriosa mulher atendida pelo nome de Tina Walters. Ela olhava para baixo, pensativa.


Eu assenti e ficamos na expectativa. O que ela poderia dizer? Quem era Tina Walters? E por onde andará essa cretina? Eu queria todas as respostas naquele momento. Ou alguma parte dele. Mas temia que, pela reação de Amelia, eu não descobriria muito. Pelo menos por enquanto.






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