terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Jar Of Memories- Capítulo 16: Revelations (part II)



Assim que Harry partiu, adentrei a porta espelhada e dei de cara com o porteiro, que me olhou desconfiado.
                -O que desejas Senhorita? Indagou curiosamente.

                -Eu preciso encontrar uma pessoa que mora aqui. Pigarreei assim que percebi que minha voz estava trêmula e demonstrava nervosismo.

                -Quem é a pessoa e qual é o andar? Ele pegava o interfone enquanto aguardava a minha resposta.

Eu entreguei o papel a ele e disse que a pessoa residente naquele local não me conhecia, mas, precisava urgentemente falar com ela.
                -Sinto muito, senhorita, mas, não posso te ajudar com isso. Eu não posso autorizar a subida de pessoas desconhecidas. Corro o grande risco de perder o meu emprego.
                -Então... Interfone para o apartamento e deixe-me falar com ela.
                -A senhora em questão não gosta de conversar com estranhos. Ele disse por fim, tentando dar um fim na conversa. Entretanto, eu insisti.
                -Algo me diz que o nome da senhora em questão não corresponde ao nome verdadeiro dela, não é? Um alter-ego, talvez? Tentei parecer a mais esperta e despreocupada possível, mas, no fundo estava prestes a ter um ataque de raiva e nervosismo.
                -Eu não sei de nada, senhorita. Estou fazendo apenas o meu trabalho e se a senhorita permitir, eu preciso continuar o meu trabalho. Ele abaixou a cabeça e continuou separando cartas para entregar aos moradores.
                Droga! Como eu faria para entrar naquela porcaria sem ser notada ou com a permissão de alguém? Fui para a porta de entrada e olhei para os lados, a procura de alguém. Não demorou muito para que encontrasse a pessoa perfeita.
                -Você, você! Preciso de ajuda, por favor! Supliquei a um rapaz que estava com um pacote nas mãos, parecia retornar de algum mercado. Ele me olhou assustado.
                -Quem é você? E o que quer? Indagou desconfiado.
Contei toda a minha história e ele ficou comovido. Eu disse que precisava muito conversar com Tina Walters, ou sei lá quem seja. Tive uma idéia e ele pareceu aprová-la. Pisquei o olho e o agradeci imensamente. Juntos, fomos caminhando de volta ao prédio.
                Ele cumprimentou o porteiro e disse que eu estava acompanhada. O porteiro assistiu incrédulo a tudo que acontecia. Estava sorrindo, alegre, pelo meu plano ter funcionado. Entramos no elevador e ele marcou o terceiro andar, enquanto eu marquei o quinto. Ele se despediu de mim com um sorriso e me desejou sorte. Assim que as portas do elevador se fecharam, suspirei e tentei respirar novamente, tentando me preparar para o que viesse.
                Cheguei ao quinto andar e fui caminhando lentamente até encontrar o apartamento 519, entre portas e mais portas, um andar imenso. Perguntava-me como seria o tamanho de todos aqueles apartamentos. O prédio tinha um design arrojado e não parecia custar pouco.


Imagem da personagem Amber entrando no prédio de Walters

            
                Finalmente, cheguei ao meu destino. Parei em frente à porta, fechei os olhos, respirei mais uma vez e toquei a campainha. Meu coração estava a mil. Muitas perguntas se passavam pela minha cabeça e eu, tinha que processar tudo rapidamente. Sentia-me como se tivesse apenas 10 anos. Apesar de ter amadurecido, eu ainda parecia uma criança indefesa. Esforçava-me  para compreender cada informação, entretanto, parecia impossível. Descobri tudo de uma só vez. E ainda viria mais. Muito mais.
                Uma senhora atendeu a porta, séria. Os cabelos pretos eram curtos e estavam penteados para trás. Os olhos eram claros e grandes demonstravam estranhamento. Dei um meio sorriso e enfim, comecei.

 Imagem do estereótipo da personagem de Tina Walters

                -Bom dia, eu devo ter te acordado. Mil desculpas. Eu sou Amber, prazer. Eu estendi a minha mão, porém, ela não fez o mesmo. Continuou recostada sobre a porta.

                -Olha Amber, eu não sei o que você veio fazer em meu apartamento em plena hora da manhã, mas se for para vender alguma coisa, desista. Dê meia volta e vá embora, por favor. Ela estava mal-humorada e sua voz e semblante demonstravam isso.

                -Eu não vim aqui para vender nada, senhora. Eu vim para buscar conhecimento sobre o seu passado. Olhei para baixo e em seguida, para ela, fingindo um sorriso.

A senhora ficou pálida de repente, e se afastou da porta.

                -Quem é você?- Perguntou, assustada.

                -Quem sou eu? A filha de John e Amy Hünderberg que você matou naquele quatro de Dezembro de 1991. Sou Amber Hünderberg. Finalizei meu diálogo com orgulho e remorso.

                -Mas, mas... M-M-Meu Deus! Como você me encontrou? Eles me disseram que você havia deixado o país para se esquecer de todos os traumas! Por que voltou? O QUE QUER DE MIM? Ela estava muito assustada e revoltada com o que estava acontecendo. Ela colocou as mãos na cabeça e saiu andando de um lado para o outro, parecendo uma desvairada.



                -Tina Walters, eu suponho não é? Ou seria um alter-ego para fugir da dor que você causou em mim? Ou então, para fugir dos tablóides, que te acusam de ser amante de John Hünderberg?

Ela olhava a tudo, assustada. O desespero entrou em cena, junto com algumas lágrimas, mas não de arrependimento e sim de medo. Somente medo.

                -A senhora vai me deixar aqui parada? Eu gostaria de entrar e sentar. Eu tentava parecer a mais dissimulada possível, afinal, eu estava de frente com o inimigo.

                -Tem que me prometer que não divulgar o meu paradeiro. Ninguém pode saber. NINGUÉM! Ela olhou nos meus olhos e segurou meu braço, feito uma louca.

                -Eu gostaria que a senhora me soltasse. E não, não divulgarei seu paradeiro. Ninguém ficará sabendo. Eu prometo. Posso entrar?

Ela assentiu e antes de fechar a porta, olhou para os lados, neurótica. Sentei no sofá e esperei que ela fizesse o mesmo.
                -Quem te mandou aqui? Foi a cretina da Amelia, não foi? Ela é a única que sabe onde me encontrar! AQUELA VADIA DESGRAÇADA! ELA ME PAGA!

                -Antes que comece a ofendê-la, saiba que ela não tem nada a ver com isso. Ela apenas funcionou como uma ligação entre nós. Ela fez o seu dever e acabou na sarjeta. Amelia se arrepende muito do que fez e me pediu perdão. Eu o concedi, pois vi a sinceridade transparecer em seus olhos. Eu abri a minha bolsa e peguei a foto que tia Zoe havia me dado. –Isso não te parece familiar? Entreguei a foto e ela analisou, paralisada.
                -Quem tirou essa foto? QUEM? ESSES MALDITOS ESTÃO POR TODA A PARTE!  -Berrou, saindo do sofá.

Eu respirei fundo e fui atrás dela, sem paciência.

                -Senhora Walters, nós precisamos conversar! ISSO É SÉRIO! Para mim, você está fingindo dar uma de louca, para fugir do assunto! Saiba que comigo, isso não irá funcionar, pois, não sairei daqui sem respostas para minhas perguntas! Segurei o braço dela e olhei no fundo de seus olhos.

                Ela se desvencilhou das minhas mãos e cruzou os braços. O nervosismo e a neurose desapareceram rapidamente. Ele sorriu e me olhou:

                -Vamos lá Srta. Hünderberg! O que quer saber?


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