Assim que Harry partiu, adentrei a
porta espelhada e dei de cara com o porteiro, que me olhou desconfiado.
-O
que desejas Senhorita? Indagou curiosamente.
-Eu
preciso encontrar uma pessoa que mora aqui. Pigarreei assim que percebi que
minha voz estava trêmula e demonstrava nervosismo.
-Quem
é a pessoa e qual é o andar? Ele pegava o interfone enquanto aguardava a minha
resposta.
Eu entreguei o papel a ele e
disse que a pessoa residente naquele local não me conhecia, mas, precisava
urgentemente falar com ela.
-Sinto
muito, senhorita, mas, não posso te ajudar com isso. Eu não posso autorizar a
subida de pessoas desconhecidas. Corro o grande risco de perder o meu emprego.
-Então...
Interfone para o apartamento e deixe-me falar com ela.
-A
senhora em questão não gosta de conversar com estranhos. Ele disse por fim,
tentando dar um fim na conversa. Entretanto,
eu insisti.
-Algo
me diz que o nome da senhora em questão não corresponde ao nome verdadeiro
dela, não é? Um alter-ego, talvez? Tentei
parecer a mais esperta e despreocupada possível, mas, no fundo estava prestes a
ter um ataque de raiva e nervosismo.
-Eu
não sei de nada, senhorita. Estou fazendo apenas o meu trabalho e se a
senhorita permitir, eu preciso continuar o meu trabalho. Ele abaixou a cabeça e
continuou separando cartas para entregar aos moradores.
Droga! Como eu faria para entrar naquela
porcaria sem ser notada ou com a permissão de alguém? Fui para a porta de
entrada e olhei para os lados, a procura de alguém. Não demorou muito para que
encontrasse a pessoa perfeita.
-Você,
você! Preciso de ajuda, por favor! Supliquei a um rapaz que estava com um
pacote nas mãos, parecia retornar de algum mercado. Ele me olhou assustado.
-Quem
é você? E o que quer? Indagou desconfiado.
Contei toda a minha história e
ele ficou comovido. Eu disse que precisava muito conversar com Tina Walters, ou
sei lá quem seja. Tive uma idéia e ele pareceu aprová-la. Pisquei o olho e o
agradeci imensamente. Juntos, fomos caminhando de volta ao prédio.
Ele cumprimentou o porteiro e disse que eu
estava acompanhada. O porteiro assistiu incrédulo a tudo que acontecia. Estava
sorrindo, alegre, pelo meu plano ter funcionado. Entramos no elevador e ele
marcou o terceiro andar, enquanto eu marquei o quinto. Ele se despediu de mim
com um sorriso e me desejou sorte. Assim que as portas do elevador se
fecharam, suspirei e tentei respirar novamente, tentando me preparar para o que
viesse.
Cheguei
ao quinto andar e fui caminhando lentamente até encontrar o apartamento 519,
entre portas e mais portas, um andar imenso. Perguntava-me como seria o tamanho
de todos aqueles apartamentos. O prédio tinha um design arrojado e não parecia
custar pouco.
Imagem da personagem Amber entrando no prédio de Walters
Finalmente, cheguei ao meu
destino. Parei em frente à porta, fechei os olhos, respirei mais uma vez e
toquei a campainha. Meu coração estava a
mil. Muitas perguntas se passavam pela minha cabeça e eu, tinha que processar
tudo rapidamente. Sentia-me como se tivesse apenas 10 anos. Apesar de ter
amadurecido, eu ainda parecia uma criança indefesa. Esforçava-me para compreender cada informação, entretanto,
parecia impossível. Descobri tudo de uma só vez. E ainda viria mais. Muito mais.
Uma
senhora atendeu a porta, séria. Os cabelos pretos eram curtos e estavam
penteados para trás. Os olhos eram claros e grandes demonstravam estranhamento.
Dei um meio sorriso e enfim, comecei.
Imagem do estereótipo da personagem de Tina Walters
-Bom
dia, eu devo ter te acordado. Mil desculpas. Eu sou Amber, prazer. Eu estendi a
minha mão, porém, ela não fez o mesmo. Continuou recostada sobre a porta.
-Olha
Amber, eu não sei o que você veio fazer em meu apartamento em plena hora da
manhã, mas se for para vender alguma coisa, desista. Dê meia volta e vá embora,
por favor. Ela estava mal-humorada e sua voz e semblante demonstravam isso.
-Eu
não vim aqui para vender nada, senhora. Eu vim para buscar conhecimento sobre o
seu passado. Olhei para baixo e em seguida, para ela, fingindo um sorriso.
A senhora ficou pálida de
repente, e se afastou da porta.
-Quem
é você?- Perguntou, assustada.
-Quem
sou eu? A filha de John e Amy Hünderberg que você matou naquele quatro de
Dezembro de 1991. Sou Amber Hünderberg. Finalizei meu diálogo com orgulho e
remorso.
-Mas,
mas... M-M-Meu Deus! Como você me encontrou? Eles me disseram que você havia
deixado o país para se esquecer de todos os traumas! Por que voltou? O QUE QUER
DE MIM? Ela estava muito assustada e revoltada com o que estava acontecendo.
Ela colocou as mãos na cabeça e saiu andando de um lado para o outro, parecendo
uma desvairada.
-Tina
Walters, eu suponho não é? Ou seria um alter-ego para fugir da dor que você
causou em mim? Ou então, para fugir dos tablóides, que te acusam de ser amante
de John Hünderberg?
Ela olhava a tudo, assustada. O
desespero entrou em cena, junto com algumas lágrimas, mas não de arrependimento
e sim de medo. Somente medo.
-A
senhora vai me deixar aqui parada? Eu gostaria de entrar e sentar. Eu tentava
parecer a mais dissimulada possível, afinal, eu estava de frente com o inimigo.
-Tem
que me prometer que não divulgar o meu paradeiro. Ninguém pode saber. NINGUÉM!
Ela olhou nos meus olhos e segurou meu braço, feito uma louca.
-Eu
gostaria que a senhora me soltasse. E não, não divulgarei seu paradeiro.
Ninguém ficará sabendo. Eu prometo. Posso entrar?
Ela assentiu e antes de fechar a
porta, olhou para os lados, neurótica. Sentei no sofá e esperei que ela fizesse
o mesmo.
-Quem
te mandou aqui? Foi a cretina da Amelia, não foi? Ela é a única que sabe onde
me encontrar! AQUELA VADIA DESGRAÇADA! ELA ME PAGA!
-Antes
que comece a ofendê-la, saiba que ela não tem nada a ver com isso. Ela apenas
funcionou como uma ligação entre nós. Ela fez o seu dever e acabou na sarjeta. Amelia
se arrepende muito do que fez e me pediu perdão. Eu o concedi, pois vi a
sinceridade transparecer em seus olhos. Eu abri a minha bolsa e peguei a foto
que tia Zoe havia me dado. –Isso não te parece familiar? Entreguei a foto e ela
analisou, paralisada.
-Quem
tirou essa foto? QUEM? ESSES MALDITOS ESTÃO POR TODA A PARTE! -Berrou, saindo do sofá.
Eu respirei fundo e fui atrás
dela, sem paciência.
-Senhora
Walters, nós precisamos conversar! ISSO É SÉRIO! Para mim, você está fingindo
dar uma de louca, para fugir do assunto! Saiba que comigo, isso não irá
funcionar, pois, não sairei daqui sem respostas para minhas perguntas! Segurei
o braço dela e olhei no fundo de seus olhos.
Ela
se desvencilhou das minhas mãos e cruzou os braços. O nervosismo e a neurose
desapareceram rapidamente. Ele sorriu e me olhou:
-Vamos
lá Srta. Hünderberg! O que quer saber?



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