quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 17: Revelations (part III)



             
O olhar de Tina à la Katherine Pierce (hahahaha)
Créditos: www.portalseries.com.br

                O olhar de Tina era intimador. A reação dela mudou em poucos segundos. A mulher desesperada e neurótica havia dado espaço a uma pessoa fria e hipócrita, que olhava com um meio sorriso, aguardando as minhas perguntas. Eu estava diante de uma senhora que sequer conhecia, mas, sentia que transmitia medo e perversidade.
                -A senhora sabe o que aconteceu naquele dia. Qual é o seu nome e o que você tinha com o meu pai?- Perguntei, mantendo o tom calmo.
                -Em primeiro lugar, seu pai foi o grande culpado de tudo isso. Ele destruiu a própria família, mantendo um caso comigo, escondendo isto de tudo e de todos. Portanto, nada de palavrinhas para me sentir culpada, certo? E o meu nome é Debra. O que mais quer saber? Ela cruzou os braços e ficou analisando minha reação.

                -E o sobre o que vocês tinham conversado antes da noite do acidente? Eu me levantei e fuzilei um olhar em direção a ela, que revirou os olhos.
                - Olha eu não me lembro direito, mas, ele queria o divórcio. John não amava mais Amy. Ele deve ter contado isso a ela e aí, acredito que tenha começado a discussão. John havia me dito que se separaria da sua mãe, porque estava apaixonado por mim. Ele prometeu que daria a você e a Amy, todo suporte possível e necessário. Nós chegamos a conversar sobre a idéia de moramos em um novo apartamento, no entanto, o destino não permitiu que concluíssemos nosso plano. Uma pena. Ela olhava para as unhas, recém-pintadas e desviou seu olhar para mim. – Eu realmente sinto muito, senhorita. Muito mesmo.
Eu percebi o sarcasmo em cada palavra que ela dissera. Aquilo foi virando um bolo na garganta, que se misturava a dor, raiva, remorso. Eu olhei para baixo e tentei esconder uma lágrima. Ergui minha cabeça e as elas ainda estavam em meu rosto. Respirei fundo, tentando encontrar forças.


                -Você sabia de tudo! Por que não deixar meu pai em paz? Você o provocava, eu sei. Como estagiária e assistente poderia ter se afastado. Acredito que jamais sentirá a dor que eu sinto, mas, e se estivesse no meu lugar, Debra? O que faria ao ver sua família se desintegrando sem poder fazer nada? Eu estava alheia a tudo! Eles queriam me proteger e eu só queria a verdade. E assim, eles morreram. Sem poder me dizer nada! Nem pude saber o porquê. Só agora tomei coragem para ir atrás de tudo e me decepciono ao ver que meu pai se envolveu com uma mulher cretina como você. E o pior de tudo: admitir que ele não valia nada, pois nem a minha mãe ele amava mais, e ainda teve a ousadia de traí-la contigo. Quanta decepção. A minha voz estava embargada, meus olhos marejavam ao me lembrar do momento em que eu soube que eles sofreram um acidente de carro e que estavam mortos...

 Ela olhava a cada cena, sem emoção. Debruçou seus braços sobre a mesa e bocejou.
                -Terminou o discurso? Ah, que alívio. Sinceramente, eu acho que está na hora de você ir embora. Já teve as respostas necessárias para as polêmicas perguntas. Eu tenho muitas coisas para fazer. E repito: não tive nada a ver com a morte deles. Sua mãe era uma “mosca-morta”, por isso, seu pai não a queria. Eu nem sei como ele se casou com ela. Debra soltou uma gargalhada mortal e aquilo foi a gota d’ água. Eu já tinha sido educada demais e acho que estava na hora de “destilar o veneno”.
                -Pelo menos, ela se casou com ele e eu estou aqui, como vítima de todo o drama. Os tablóides adorariam saber da verdade, onde você mora e o seu nome verdadeiro, que eu não sei todo, mas não tem importância. Afinal, a vingança é um prato que se come frio, não é? Olhei para ela com um meio sorriso.
                -VOCÊ HAVIA ME DADO A SUA PALAVRA, CACHORRA! VOCÊ NÃO SAIRÁ DAQUI COM NENHUMA DESTAS INFORMAÇÕES, PORQUE EU NÃO VOU PERMITIR! QUEM VOCÊ ACHA QUE É PARA SE METER NA MINHA VIDA, VADIAZINHA IMBECIL? Ela saltou da bancada e segurou os meus braços fortemente, podendo ver a raiva em seu olhar. Ela seria capaz de tudo naquele momento. Olhei para o lado, raciocinei e tive uma idéia melhor.

                -VOCÊ DESTRUIU A MINHA FAMÍLIA, AGORA É HORA DE RETRIBUIR O GRANDE FAVOR, DEBRA! AFINAL, EU SOU UMA VADIAZINHA IMBECIL, NÃO É? DIGA NOS MEUS OLHOS!
                Ela repetiu o que tinha dito e esbofeteei o seu rosto. Ela tentou revidar, mas, escorregou no tapete e levou uma queda. Eu não escondi a gargalhada. Ela tentou me atacar outra vez, mas segurei sua mão e a empurrei.
                - Da próxima vez que tentar me magoar, pense nos argumentos que eu posso ter para rebater cada ofensa sua! –Disse isso, sibilando em seu ouvido. Pisquei um dos olhos e abri a porta. Minha reação foi imensurável quando vi quem estava do outro lado.
 
                -GRACE? O- O Q-Q-QUE FAZ AQUI? Berrei, incrédula.
                - O que você faz aqui Amber? Por que estava na minha casa? E andou discutindo com a minha mãe? Ela adentrou o apartamento rapidamente, olhando para Debra que também parecia assustada.
                -Vocês se conhecem? O que está acontecendo nesta merda? -Indagou Debra, colocando as mãos na cabeça.
                -Mãe, Amber é minha chefe na agência. Ela é a dona e cuida de tudo por lá.
Debra ficou pálida e estática por alguns segundos. Antes que pudesse perder o equilíbrio, ela se sentou ainda petrificada. Todas nós estávamos em silêncio, quando resolvi quebrá-lo, temendo ouvir as respostas.
                -Grace, o que está acontecendo? Você conhece essa mulher? Sabe o que ela fez com meus pais? Eu quero a verdade, porra! A verdade! - Gritei eu, chacoalhando seus ombros.
Grace não demonstrou nenhuma reação. Seus olhos permaneceram perdidos por alguns minutos, quando olhou para baixo e segurou as minhas mãos.
                -Amber Hünderberg, eu sinto muito. Não queria que as coisas acabassem assim. A verdade é que: Debra é minha mãe. Aquela garotinha que você viu na foto era eu. Minha mãe namorava um cara e engravidou. Entretanto, ele não quis assumir a paternidade. Desde então, ela tentava arranjar um emprego enquanto estava na faculdade. E foi aí que o seu pai, apareceu. Ele disse que estava infeliz com o casamento e queria se divorciar. Ele estava apaixonado pela minha mãe e faria qualquer coisa para que formássemos uma família. Contudo, Amy descobriu a traição em um bilhete que minha mãe havia deixado nas coisas do seu pai e discutiu com ele na noite anterior. Ele queria se separar, mas ela não. Amy utilizou de argumentos fortes para permanecer casada e disse que o amava muito A discussão deve ter se tornado mais intensa,e por fim, aconteceu o terrível acidente. EU SINTO MUITO, AMBER! Seus olhos estavam em lágrimas e ela chorou como eu nunca havia visto.



Eu estava em choque, não nego, mas o discurso de Grace me deixou triste e naquele momento eu aceitei a verdade: meu pai não nos queria como família. Éramos rejeitadas, eu e minha mãe. Um flashback passou pela minha memória, o último momento em que os vi.
Flashback On
                Eu estava no meu quarto, ouvindo Sting no último volume, sem me preocupar com a possível reação dos meus pais. Peguei minha mochila e retirei as cartas de advertência, uma de suspensão e uma pilha de provas que não merecem ser comentadas aqui. Peguei um isqueiro dentro da gaveta, coloquei a papelada no lixo e ateei fogo. A fumaça se espalhou rapidamente e meu pai invadiu a porta.
                               -Amber Lynn Hünderberg! O que está fazendo? Ele berrava ao ver a fumaça e quando descobriu de onde vinha e o que estava sendo incinerado, me deu um tapa na cara e chacoalhou os meus ombros.
                -Você é doida? Por que está fazendo isso? Foi mal nos testes de novo, não é?
Eu não respondi nada. Ele correu, buscou uma balde com água e apagou o fogo. Havia partes que não tinham sido incineradas por completo, deixando à mostra, a prova do crime.
Meu pai chorou e implorou para que eu parasse de causar confusão, pois, estávamos com muitos problemas.
                -Eu só quero que você seja uma boa filha. Eu preciso disso e a sua mãe também.  Ela precisa mais do que nunca, Amber Lynn.  Amy não está bem. Conversaremos mais tarde, quando voltar do jantar. Comporte-se, pelo amor de Deus! Ele beijou a minha testa e fechou a porta. Eu abri as janelas e senti os pingos de chuva me atingirem. Vi o carro de meus pais sair em meio ao grande temporal. Minha mãe me viu e acenou timidamente. Ela fingia um sorriso, pois não queria que eu descobrisse o que estava acontecendo. O carro sumiu ao virar a esquina e o meu senti meu coração apertar.  E esta foi última vez que eu os vi.

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