O olhar de Tina à la Katherine Pierce (hahahaha)
Créditos: www.portalseries.com.br
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O olhar de Tina era intimador. A reação dela mudou em poucos
segundos. A mulher desesperada e neurótica havia dado espaço a uma pessoa fria
e hipócrita, que olhava com um meio sorriso, aguardando as minhas perguntas. Eu estava diante de uma senhora que sequer
conhecia, mas, sentia que transmitia medo e perversidade.
-A
senhora sabe o que aconteceu naquele dia. Qual é o seu nome e o que você tinha
com o meu pai?- Perguntei, mantendo o tom calmo.
-Em
primeiro lugar, seu pai foi o grande culpado de tudo isso. Ele destruiu a
própria família, mantendo um caso comigo, escondendo isto de tudo e de todos.
Portanto, nada de palavrinhas para me sentir culpada, certo? E o meu nome é Debra.
O que mais quer saber? Ela cruzou os braços e ficou analisando minha reação.
-E o
sobre o que vocês tinham conversado antes da noite do acidente? Eu me levantei
e fuzilei um olhar em direção a ela, que revirou os olhos.
- Olha
eu não me lembro direito, mas, ele queria o divórcio. John não amava mais Amy.
Ele deve ter contado isso a ela e aí, acredito que tenha começado a discussão.
John havia me dito que se separaria da sua mãe, porque estava apaixonado por
mim. Ele prometeu que daria a você e a Amy, todo suporte possível e necessário.
Nós chegamos a conversar sobre a idéia de moramos em um novo apartamento, no
entanto, o destino não permitiu que concluíssemos nosso plano. Uma pena. Ela
olhava para as unhas, recém-pintadas e desviou seu olhar para mim. – Eu
realmente sinto muito, senhorita. Muito mesmo.
Eu percebi o sarcasmo
em cada palavra que ela dissera. Aquilo foi virando um bolo na garganta, que se
misturava a dor, raiva, remorso. Eu olhei para baixo e tentei esconder uma
lágrima. Ergui minha cabeça e as elas ainda estavam em meu rosto. Respirei fundo,
tentando encontrar forças.
-Você
sabia de tudo! Por que não deixar meu pai em paz? Você o provocava, eu sei.
Como estagiária e assistente poderia ter se afastado. Acredito que jamais
sentirá a dor que eu sinto, mas, e se estivesse no meu lugar, Debra? O que
faria ao ver sua família se desintegrando sem poder fazer nada? Eu estava
alheia a tudo! Eles queriam me proteger e eu só queria a verdade. E assim, eles
morreram. Sem poder me dizer nada! Nem pude saber o porquê. Só agora tomei
coragem para ir atrás de tudo e me decepciono ao ver que meu pai se envolveu com
uma mulher cretina como você. E o pior de tudo: admitir que ele não valia nada,
pois nem a minha mãe ele amava mais, e ainda teve a ousadia de traí-la contigo.
Quanta decepção. A minha voz estava
embargada, meus olhos marejavam ao me lembrar do momento em que eu soube que
eles sofreram um acidente de carro e que estavam mortos...
Ela olhava a cada cena, sem emoção. Debruçou seus braços sobre a mesa e bocejou.
Ela olhava a cada cena, sem emoção. Debruçou seus braços sobre a mesa e bocejou.
-Terminou
o discurso? Ah, que alívio. Sinceramente, eu acho que está na hora de você ir
embora. Já teve as respostas necessárias para as polêmicas perguntas. Eu tenho
muitas coisas para fazer. E repito: não tive nada a ver com a morte deles. Sua mãe era uma “mosca-morta”, por isso, seu
pai não a queria. Eu nem sei como ele se casou com ela. Debra soltou uma
gargalhada mortal e aquilo foi a gota d’ água. Eu já tinha sido educada demais e acho que estava na hora de “destilar
o veneno”.
-Pelo
menos, ela se casou com ele e eu estou aqui, como vítima de todo o drama. Os
tablóides adorariam saber da verdade, onde você mora e o seu nome verdadeiro,
que eu não sei todo, mas não tem importância. Afinal, a vingança é um prato que
se come frio, não é? Olhei para ela com um meio sorriso.
-VOCÊ
HAVIA ME DADO A SUA PALAVRA, CACHORRA! VOCÊ NÃO SAIRÁ DAQUI COM NENHUMA DESTAS
INFORMAÇÕES, PORQUE EU NÃO VOU PERMITIR! QUEM VOCÊ ACHA QUE É PARA SE METER NA
MINHA VIDA, VADIAZINHA IMBECIL? Ela saltou da bancada e segurou os meus braços fortemente,
podendo ver a raiva em seu olhar. Ela seria capaz de tudo naquele momento. Olhei
para o lado, raciocinei e tive uma idéia melhor.
-VOCÊ
DESTRUIU A MINHA FAMÍLIA, AGORA É HORA DE RETRIBUIR O GRANDE FAVOR, DEBRA!
AFINAL, EU SOU UMA VADIAZINHA IMBECIL, NÃO É? DIGA NOS MEUS OLHOS!
Ela
repetiu o que tinha dito e esbofeteei o seu rosto. Ela tentou revidar, mas,
escorregou no tapete e levou uma queda. Eu não escondi a gargalhada. Ela tentou
me atacar outra vez, mas segurei sua mão e a empurrei.
- Da
próxima vez que tentar me magoar, pense nos argumentos que eu posso ter para
rebater cada ofensa sua! –Disse isso, sibilando em seu ouvido. Pisquei um dos olhos e abri a porta. Minha
reação foi imensurável quando vi quem estava do outro lado.
-GRACE?
O- O Q-Q-QUE FAZ AQUI? Berrei, incrédula.
- O que
você faz aqui Amber? Por que estava na minha casa? E andou discutindo com a
minha mãe? Ela adentrou o apartamento rapidamente, olhando para Debra que
também parecia assustada.
-Vocês
se conhecem? O que está acontecendo nesta merda? -Indagou Debra, colocando as
mãos na cabeça.
-Mãe,
Amber é minha chefe na agência. Ela é a dona e cuida de tudo por lá.
Debra ficou pálida e estática por alguns segundos. Antes que
pudesse perder o equilíbrio, ela se sentou ainda petrificada. Todas nós
estávamos em silêncio, quando resolvi quebrá-lo, temendo ouvir as respostas.
-Grace,
o que está acontecendo? Você conhece essa mulher? Sabe o que ela fez com meus
pais? Eu quero a verdade, porra! A verdade! - Gritei eu, chacoalhando seus
ombros.
Grace não demonstrou
nenhuma reação. Seus olhos permaneceram perdidos por alguns minutos, quando
olhou para baixo e segurou as minhas mãos.
-Amber
Hünderberg, eu sinto muito. Não queria que as coisas acabassem assim. A verdade
é que: Debra é minha mãe. Aquela
garotinha que você viu na foto era eu. Minha mãe namorava um cara e engravidou.
Entretanto, ele não quis assumir a paternidade. Desde então, ela tentava
arranjar um emprego enquanto estava na faculdade. E foi aí que o seu pai,
apareceu. Ele disse que estava infeliz com o casamento e queria se divorciar. Ele
estava apaixonado pela minha mãe e faria qualquer coisa para que formássemos
uma família. Contudo, Amy descobriu a traição em um bilhete que minha mãe havia
deixado nas coisas do seu pai e discutiu com ele na noite anterior. Ele queria
se separar, mas ela não. Amy utilizou de argumentos fortes para permanecer
casada e disse que o amava muito A discussão deve ter se tornado mais intensa,e
por fim, aconteceu o terrível acidente. EU SINTO MUITO, AMBER! Seus olhos estavam em lágrimas e ela chorou
como eu nunca havia visto.
Eu estava em choque, não nego, mas o discurso de Grace me
deixou triste e naquele momento eu aceitei a verdade: meu pai não nos queria como família. Éramos rejeitadas, eu e minha
mãe. Um flashback passou pela minha memória, o último momento em que os vi.
Flashback On
Eu estava no meu quarto, ouvindo Sting no
último volume, sem me preocupar com a possível reação dos meus pais. Peguei
minha mochila e retirei as cartas de advertência, uma de suspensão e uma pilha
de provas que não merecem ser comentadas aqui. Peguei um isqueiro dentro da
gaveta, coloquei a papelada no lixo e ateei fogo. A fumaça se espalhou
rapidamente e meu pai invadiu a porta.
-Amber Lynn
Hünderberg! O que está fazendo? Ele berrava ao ver a fumaça e quando descobriu
de onde vinha e o que estava sendo incinerado, me deu um tapa na cara e
chacoalhou os meus ombros.
-Você é doida? Por que está
fazendo isso? Foi mal nos testes de novo, não é?
Eu não respondi nada.
Ele correu, buscou uma balde com água e apagou o fogo. Havia partes que não
tinham sido incineradas por completo, deixando à mostra, a prova do crime.
Meu pai chorou e
implorou para que eu parasse de causar confusão, pois, estávamos com muitos
problemas.
-Eu só quero que você seja uma
boa filha. Eu preciso disso e a sua mãe também. Ela precisa mais do que nunca, Amber Lynn. Amy não está bem. Conversaremos mais tarde,
quando voltar do jantar. Comporte-se, pelo amor de Deus! Ele beijou a minha
testa e fechou a porta. Eu abri as janelas e senti os pingos de chuva me
atingirem. Vi o carro de meus pais sair em meio ao grande temporal. Minha mãe
me viu e acenou timidamente. Ela fingia um sorriso, pois não queria que eu
descobrisse o que estava acontecendo. O carro sumiu ao virar a esquina e o meu
senti meu coração apertar. E esta foi
última vez que eu os vi.

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