domingo, 1 de dezembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 12: Better Than Me?

             Créditos: www.cosmopolitan.com

              A hora do expediente já se encerrava e minha mesa estava coberta de papéis. Eu estava completamente perdida, sem saber o que fazer primeiro. Minha vontade era de jogar tudo dentro da gaveta e ir embora sem olhar para trás. Mas nesse momento, me lembro de que sou dona dessa agência e responsável por tudo o que acontece aqui. Portanto, nada de largar para segunda-feira o que se DEVE fazer hoje. Puxo meus cabelos em um coque, e começo a organizar os documentos por grau de importância. Acabo me desconcentrando quando vejo Grace arrumando a mesa se preparando para sair pela parede de vidro que ficava entre a minha sala e a recepção. Logo, lembro-me de ter feito isso para “controlar” o andamento dos processos na recepção. Meu Deus, como eu podia ser tão controladora?

                -Até mais, Amber. Já estou me retirando. Eu posso? Perguntou ela, sorrindo.

                -Sim. Você pode ir. Aproveite o fim de semana. Eu esbocei um leve sorriso.

Grace se despediu e eu estava solitária novamente. Olhei no relógio: 6:00 PM. Minha vontade de largar tudo pelo caminho e entrar no carro rumo à minha casa era grande, muito grande. De repente, ouvi um barulho e em, seguida, alguém bateu à porta e eu pedi para entrar: Parece que Styles ainda não havia ido embora. Oh, Céus.

                -Eu estava pensando em ir embora, mas, vendo você com essa pilha de papéis... Acho que seria interessante uma pequena ajuda. Você aceitaria? Indagou ele, se aproximando da minha mesa, com um sorriso maroto.

Aquilo definitivamente não era boa idéia. Eu e ele no mesmo lugar? Na mesma sala? Desde momento em que eu o conheci na entrevista, encontrei algo no seu olhar. Não sei o que era, mas causou o frenesi em todas as meninas da agência. Mas voltemos ao assunto principal. Harry estava disposto a me ajudar, de qualquer jeito. Ele puxou uma cadeira e sentou ao meu lado. Aquilo me deu arrepios. Eu não consigo acreditar na possível hipótese de estar atraída por ele. É um garoto, apenas isso e, eu sou uma mulher. Totalmente absurdo. Tentei me manter concentrada e o fiquei observando. Ele parecia saber exatamente o que estava fazendo. Aquilo me deixou impressionada. Quem poderia dizer que aquele garoto com jeito de geek poderia ser tudo o que eu pensei que ele não fosse?



Em questão de alguns minutos, tudo estava organizado e para minha surpresa, do modo como eu queria. Inacreditável.

                -Você leu minha mente ou coisa do tipo? -Indaguei eu, cruzando os braços.

                -Eu não preciso ler mentes para saber o que é certo e a maneira como deve ser feito. Ele ajeitou os óculos novamente e deu um sorriso. Oh por Deus, não faça isso Harry...– Aqui está Amber Hünderberg, seus projetos devidamente arquivados e encaminhados. É bom que deixe dessa forma, pois ficará melhor de administrar. Ele estava posando de convencido para mim, arqueando uma sobrancelha. Minha única reação foi ficar boquiaberta e tentar tirar sarro de tudo aquilo. Logo me lembrei de que eu não poderia fazer isso. Ele era só um garoto, tentando me ajudar, o que foi muito admirável. Por que maltratá-lo assim? Será que eu não poderia admitir que ele era tão bom ou até melhor do que eu em alguma coisa?

                -Bom, devo admitir que você é bom nisso. Posso até te contratar como meu administrador particular, disse eu, sorrindo e pegando a bolsa e o casaco. – Acho melhor irmos embora, esse ambiente está ficando entediante.

                -Que tal sairmos por aí? Darmos umas voltas em algum bar ou café? Eu pago. Você aceita?

                O quê? Por essa eu não esperava, juro.

              – Tudo bem, vamos. Eu falei sem pensar muito, tentando esconder minha  admiração.

Saímos da sala, fechamos todas as portas e saímos. Deixei- o assumir a direção do veículo, pois, ele disse que conhecia lugares bons, que tinha ido com alguns amigos. Acho que ele se referia a “tenista sueca”, aquele amigo que ele trouxe e me apresentou no dia da entrevista. Como era mesmo o nome dele?

                -Bom, eu não contei muito sobre a minha vida. Moro com amigos em um apartamento. Dividimos parte das despesas e isso é bom. Qualquer dia, eu te o apresentarei. Ele é legal, tem uma namorada bacana... eu também tenho outros amigos, incluindo aquele que você viu aquele dia, disse ele, experimentando o café com chantilly que havia pedido.

Créditos: zisno.org

                -Ah, sim. Mas eu esqueci o nome dele. E a propósito, o que ele faz da vida? Indaguei curiosa, cruzando os braços.

                - Eu acho que trabalho dele não é lá grande coisa. Ele trabalha como coreógrafo, em uma academia de dança. O nome verdadeiro dele é Liam, mas lá ele é tratado como Leeroy. Ele não queria usar o mesmo nome, entende? Ele deu um sorriso e olhou para mim, esperando uma aceitação da minha parte.
                -O trabalho dele é digno. Ele ganha dinheiro legalmente. Mas, ele é homem mesmo ou não?

                -Isso você tem que perguntar a ele. Mas, a “parte mais alegre” dele é só no trabalho. No mais, ele se veste normalmente.

                -Entendi. Muito legal parecem ser seus amigos. Gostaria de ter tempo para conhecê-los, seria uma honra. Eu estava realmente entusiasmada para conhecê-los.

                -Isso acontecerá, não se preocupe. Eu te asseguro. Ele deu uma risada e continuou a tomar o café.

                Passamos horas conversando e quando vi, já estava na hora de ir para casa. Tia Zoe devia estar louca de preocupação e já deve ter me ligado umas cem vezes. Pedi licença e disse que precisava ir.

                -Eu te deixo lá na sua casa. Afinal, fui eu quem te trouxe até aqui. Seria deselegante deixar você voltar sozinha nesta noite fria. Ele se levantou e ajeitou a blusa e o suéter.

                -Mas, você não pode voltar sozinho para casa, porque, seria indelicadeza da minha parte. Façamos assim: você dirige até a sua casa e de lá eu volto. Por favor, diga que concorda! Exclamei eu, sorrindo.

Ele assentiu e seguimos para seu apartamento. Ele queria que eu entrasse, mas, deixei para uma próxima. 

Ele me agradeceu por tudo, beijou minha testa e saiu. Acho que esta foi a mais divertida noite que já tive, longe de uma televisão com programas frívolos e da comida semi-pronta. E melhor do que isso: acredito que ganhei um amigo ou mais do que isso. Mas isso, só o tempo poderá dizer.



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