quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 18: Mad



                 

 Reação de Amber à la Elena Gilbert (haha)


              Eu ainda estava em choque. Grace me olhava desesperada, tentando encontrar as palavras certas para que não me machucasse ainda mais.

                -Amber, seu pai estava confuso. Ele não sabia o que fazer. Pode ser que ele tenha feito a coisa errada em ter escolhido a nós.

                -NÃO! ELE NÃO FEZ! ELE SABIA QUE O CASAMENTO COM AMY NÃO IRIA MUITO LONGE! O QUE ELA PODERIA OFERECER? BELEZA? CERTAMENTE NÃO. DINHEIRO? ELE TINHA MUITO, TINHA ATÉ UMA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE! O CASAMENTO COM AQUELA “MOSCA- MORTA” ERA PERDA DE TEMPO! -Gritou Debra, em pé, esbravejando cada palavra sem medir o tom.

                -NÃO OUSE FALAR DA MINHA MÃE DESTA MANEIRA! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA DIZER ISTO? VOCÊ NÃO É NINGUÉM, NEM NUNCA FOI! ERA UMA RELIS ESTAGIÁRIA VAGABUNDA, QUE SE OFERECIA PARA TODOS DAQUELE LUGAR! MEU PAI TEVE O GRANDE AZAR DE TER CRUZADO O TEU CAMINHO, POIS VOCÊ NÃO MERECE NADA, NADA! E O DESTINO TE DEU UMA LIÇÃO NÃO É? QUEM É VOCÊ AGORA DEBRA MINNERMANN? UMA MULHER QUE TEM MEDO DA PRÓPRIA SOMBRA E VIVE SE ESCONDENDO DE TUDO E DE TODOS? QUEM É VOCÊ AGORA, DIGA-ME! -Berrei eu, enfurecida, olhando-a com um ódio e rancor que eu estavam adormecidos há algum tempo, desde daquele acidente.




                Debra calou-se imediatamente. Ela sabia que eu estava falando a verdade. Minhas lágrimas se misturavam com o meu ódio, e eu não sabia se chorava de ódio ou de tristeza por tudo aquilo ter acontecido. Grace se virou para mim, assustada, segurando as minhas mãos. Uma atitude falsa, ao meu ver.
                -Eu juro Amber! Minha mãe só fala merda!- Ela recriminou Debra com o olhar e se voltou para mim. – Nós podemos curar tudo, desta vez! Será diferente! Você pode vir para cá quando quiser e...

                -SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE OU SE FAZ DE IDIOTA? COMO VOCÊ QUER QUE EU PERDOE VOCÊS? VOCÊ SABIA DE TUDO GRACE! POR QUE NÃO ME CONTOU? POR QUE ME DEIXOU SABER SOMENTE AGORA? VOCÊ SABIA CADA DETALHE E AINDA SIM, ESCONDEU TUDO DE MIM! EU MERECIA A VERDADE, EU PROCURAVA POR ELA! GRACE, VOCÊ TRABALHOU DURANTE DEZ ANOS COMIGO E NUNCA ME DISSE NADA? ABOLUTAMENTE NADA? E AINDA QUER PERDÃO? COMO EU POSSO PERDOAR ALGUÉM ASSIM, SE NEM EU CONSIGO ME PERDOAR!- Eu gritava em meios aos suspiros e as lágrimas.
 – Você não entende e nunca entenderá, porque jamais terá uma família como eu tive. De todas as pessoas, você é a mais cretina e sabe por quê? PORQUE SABIA DE TUDO E MESMO ASSIM NÃO ME CONTOU! DEIXOU-ME SOFRENDO POR TANTO TEMPO, SEM TER IDEIA DO QUE ISSO PODERIA CAUSAR! O inimigo estava ao meu lado e EU NÃO SABIA! VOCÊS SÃO DEPLORÁVEIS! 


Peguei minha bolsa, fui até a porta e a fechei com força, completamente colérica. Grace veio atrás de mim, em lágrimas, pedindo-me perdão. Ela segurava meu braço, mas eu me desvencilhava fácil. Ela se ajoelhou e implorou. Eu a ignorei e entrei no elevador. Todos se entreolhavam curiosos e assustados, enquanto os gritos de Grace ecoavam pelo prédio. Cheguei até o térreo, tentando me recompor. Tentava secar as lágrimas com um lenço e quanto mais eu lutava, mais eu me desesperava. Uma senhora parou diante de mim e disse:

                -Não chore minha querida! Tudo dará certo! Você perdoará! Você precisa!

Eu a olhei, confusa. Como ela sabia sobre o que estava acontecendo? Outra pessoa sabia do que aconteceu entre eu e a família Minnermann? Toda aquela situação me deixava enojada e mais desesperada. A senhora fixou seus olhos sobre os meus, mas eu o desviei e saí correndo. Esbarrei em dezenas de pessoas, que passavam pela avenida, indo e vindo. Algumas reclamavam, outras me xingavam, entretanto, eu não me importava. Tentava conter o meu choro em meio à multidão, mas, parecia uma tarefa difícil. Aquela dor era incessante. Descobrir a verdade daquela forma foi devastador, tétrico para mim. Como meu pai poderia ter feito aquilo? Ele dizia que amava a minha mãe mais do que tudo no mundo. Todos os dias ele me contava uma história antes de dormir e dizia: “Eu amo vocês, Amber. Você e a Amy são tudo na minha vida!”. Ele dava um beijo na minha testa, como sempre fazia e saía do quarto. Eu ficava feliz e tudo parecia tão agradável, até os meus dez anos, quando vi minha mãe chorar pela primeira vez. Eu fiquei muito triste, estava prestes a chorar, quando ela notou um barulho e me viu atrás da porta. Ela me chamou, me envolveu em seus braços e disse que me amava muito e  que nunca deveria me esquecer disso. “Pais de verdade nunca se esquecem de seus filhos e eu quero que nunca se esqueça de nós. Te amamos muito, minha filhinha, muito. Só Deus sabe o amor que eu tenho por você.” Minhas lágrimas de desespero molhavam o meu sua blusa, enquanto ela me acariciava.  Ela se negava a me contar, o que estava acontecendo, dizendo que “tudo ficaria bem”.



 Imagem que retrata o choro da pequena alemã e o conforto de sua mãe


                As coisas só foram piorando, infelizmente. Minha mãe passava o dia trancada no quarto, parcialmente isolada. Somente o meu pai entrava, ficava uns dez minutos e saía, em silêncio. Eu o indagava sempre sobre aquilo. Ele era rude comigo e dizia que, “eram coisas sem importância”, e que eu “não tinha idade para entender nada”. Saía para o serviço às pressas, e aos poucos, foi se ausentando mais e mais. Nesta altura, eu já era uma “carta fora do baralho”. Simone era nossa empregada e desabafava comigo que detestava ver  o casal Hünderberg  tão afastado um do outro.

                Um belo dia, tentei interrogar meu pai novamente e a reação dele não foi nada positiva. Eu queria saber o que estava acontecendo entre ele e a mamãe. Ele me respondeu que estava tudo bem e o serviço estava complicando a vida dele. Pedi então que ele deixasse a presidência para ficar conosco. Meu pai ficou nervoso e disse que jamais faria aquilo. Eu insisti e perguntei se havia alguém o impedindo. Ele me esbofeteou e foi para o quarto, com ódio e em prantos. Meu pai estava diferente. Ele não era o mesmo.

Sentia-me sozinha no colégio e foi aí que virei colega de uma galera nada boa. Alguns  deles tinham dez anos, mas, escalavam paredes, muros, para roubar, além de, pichar os patrimônios públicos da cidade, influenciados pelos mais velhos. Dois deles foram pegos e a pena foi rígida. Quando percebi que poderia me encrencar, mudei de turma e me isolei novamente. Meu desempenho andava mal, eu não estudava para os testes e tinha detenção todos os dias. A diretoria chamou meus pais para uma reunião. Meu pai se negou a ir, dizendo que era um homem ocupado e mandou Simone no lugar, o que não adiantou muito. E eu já não me importava com nada, nem ninguém. Só queria ouvir minhas músicas e colecionar discos de vinil dos Rolling Stones. No último dia em que nos falamos, meu pai estava furioso, pois, Simone disse que eu reprovaria em todas as disciplinas. Aquilo me deixou furiosa e me enfurnei no quarto novamente, agora, com muita raiva de Simone. Coloquei o meu disco favorito para tocar e tentei incinerar as provas e trabalhos com notas insatisfatórias. Alguns minutos depois, meu pai arrombou a porta e quase enlouqueceu. O desfecho deste dia, todos sabem.
...

                Já andava a alguns quarteirões do edifício de Debra Minnermann quando um carro me atropelou. Ele não andava muito rápido. Já eu, corria como uma criminosa foragida. Não prestei atenção ao cruzamento e fui pega de surpresa. Levei um forte empurrão que não me fez perder a consciência, mas deixou alguns hematomas pelas minhas costas e rasgou uma parte de minhas calças. O motorista saiu em meu socorro, mas eu neguei assistência e continuei correndo com dificuldade em meio ao tumulto que se formara.
                Algumas horas depois, eu havia recuperado o fôlego e estava muito longe do meu ponto de partida. Eu andava perdida, vagando pelas ruas da cidade com olhares tortuosos e hostis. O coque estava desfeito e meus cabelos, desgrenhados. Minhas roupas estavam sujas, rasgadas e eu carregava apenas um pé dos sapatos no qual estava calçada. Dobrei a esquina e segui para um beco, escuro, onde ninguém me encontraria. Era só o que eu queria naquele momento, ficar escondida, sumir de tudo e de todos. Todas as memórias se remoíam e traziam a dor, que era forte e sempre me fazia chorar. Desmanchei-me pela enésima vez em lágrimas e abaixei a cabeça, entregando-me completamente ao fatídico momento. Fiquei alguns minutos ali, quieta. Levantei a cabeça e caminhei até a saída do beco, encontrando a avenida novamente, com o olhar baixo, andando devagar, quando um carro para próximo a mim e ouço uma voz familiar: Era Harry.




                -Ei, Amber o que aconteceu? Por que você está assim? Sua expressão demonstrava espanto.
Eu o olhei, sem expressão e os meus olhos marejavam novamente. Ele me olhou sério e fez um gesto para que eu entrasse no carro. Cedi ao pedido. Assim que ele deu partida, eu disse:

                -Eu descobri a verdade Styles. E ela é triste, muito triste –Disse eu, com a voz embargada.




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