Imagem do bairro onde a personagem Amelia reside
Créditos: sound-vision.blogspot.com
Sentei-me no sofá que Amelia havia nos oferecido. Harry
sentou ao meu lado, analisando minhas reações. Ele também estava curioso apesar
de saber pouco sobre o caso. Eu olhava firme para a ex-jornalista tentando
buscar qualquer tipo de informação falsa, caso ela pensasse em fazer isso.
-Eu não
sei sobre a Tina. Não por agora. Faz muito tempo que a vi, antes de ser
despedida do jornal. Era 1995. Ela estava nos principais tablóides do país por
namorar um estudante bem mais novo do que ela. Todos a julgavam e a chamavam de
cretina por ter causado o acidente dos seus pais e por estar envolvida com
outra pessoa três anos depois da morte de John. Ele olhava fixamente para mim,
e por fim olhou para baixo. – Se eu não me engano, acho que tenho o endereço de
onde ela morava, mas reitero: ela pode não morar mais lá. Afinal, faz muito
tempo que estive na casa dela.
-Qual
foi a última vez que falou com ela? Depois do acidente? Perguntei, expressando
curiosidade.
-Sim,
estive com ela semanas depois, pois, a morte de John e Amy causou grande
comoção por parte da audiência. Ela não quis falar muito, só disse que seu pai
dava em cima dela e que havia prometido se divorciar de Amy para ficar com ela.
Quando Amy descobriu foi até a casa dela e pediu que ela se afastasse de John. Walters
disse sobre a promessa de John a Amy, que saiu aos prantos, dizendo que iria
tirar satisfações. E depois, você sabe: algumas horas se passariam e eles
estariam mortos.
Eu fiquei estática e senti uma lágrima cair do meu rosto.
Minha garganta doía, pois tentava engolir o choro. Agora sim, eu precisava encontrar essa desgraçada.
-Bom,
isso ajuda. Eu gostaria que você fornecesse o endereço dela, por favor. Disse
eu, cabisbaixa. Harry apoiou seu braço sobre o meu ombro e sibilou que tudo
ficaria bem.
Amelia foi até o quarto e voltou alguns minutos depois com
um pequeno papel na mão.
-Aqui
está o endereço. Se a encontrar, diga a ela que fui eu. E que ela não merece
nada do que conquistou. Ela arruinou uma família e isso é imperdoável. Seus
olhos marejavam. – Não conheci Amy, mas, sei que ela tem uma filha linda que
merece saber o que aconteceu antes de sua morte. Ela me abraçou fortemente e pude sentir o quanto ela estava sendo
honesta com suas palavras.
-Saiba
que eu sinto muito, Amber. Muito mesmo. Perdoe-me se te chateei com alguma
coisa que escrevi. Eu era pressionada a publicar tudo o que acontecia, e o meu
chefe selecionava sobre o quê e como escrever. Sei que isso não justifica, mas
quero que saiba que estou torcendo para que a encontre e que ela te conte tudo.
Você merece saber da verdade. Mais do que qualquer outra pessoa.
Despedimos
de Amelia e fomos andando até o carro. Eu
olhava para o endereço em mãos, aflita. Será que eu realmente queria saber da
verdade? E se eu me magoasse mais ainda por descobrir a traição do meu pai e o
sofrimento da minha mãe? Isso me levaria a algum lugar? Meus pensamentos
estavam a todo vapor, quando Styles me interrompeu:
-Amber,
você quer que eu dirija?
-Sim,
quero. Acho que não tenho condições. Não agora. -Disse eu, enxugando as
lágrimas.
Seguimos
rumo ao endereço dado por Judd e chegamos a uma casa simples, sem grandes
ornamentações. Descemos do carro e fomos andando em um pequeno caminho até
chegarmos à porta. Harry perguntou se eu queria tomar a frente e assenti. Respirei
fundo e toquei a campainha. Nenhum sinal. Toquei mais uma vez. Nenhum sinal. O desespero bateu forte. Tentei encontrar alguma informação com alguns vizinhos. Fui
até a casa ao lado e toquei o interfone. Uma senhora atendeu e disse que iria
nos receber. Ela abriu a porta e perguntou o que queríamos.
-Bom
dia! Em que posso ajudar?
-Bom
dia! Eu sou filha de um casal que faleceu em um acidente em 1991. A história
gerou uma repercussão por se tratar de uma discussão calorosa que meus pais
tiveram por causa de uma moça, o possível pivô da separação. Ela costumava
morar aqui, certo?
- Ela
morava aqui sim. Mas devido ao assédio da mídia, ela se mudou com a sua filha.
Elas foram para um bairro situado no centro da cidade. Acho que tenho o
endereço comigo, pois, eu a visitava sempre, mesmo com tudo o que aconteceu.
Ela segurava o queixo, pensativa. – Aguarde um instante, vou pegar o endereço.
Enquanto
eu aguardava, Harry tocou o meu ombro.
-Tem
certeza que quer continuar? Nós podemos parar agora e irmos trabalhar. Assim
você esquece um pouco isso. Eu não conheço a história, mas, é notável a sua
dor, Amber. Não consigo te ver sofrendo. Ele ajeitava os óculos e cruzava os
braços, olhando para mim. Trocamos olhares, quando fomos interrompidos pela
senhora, que pigarreou.
-Bom, aqui
está. Pode ser que ela tenha se mudado, pois, ainda é procurada pela imprensa
marrom, que só quer “ver o circo pegar fogo”. É tudo o que sei, Srta.?
-Srta.
Hünderberg. Agradeço a ajuda. Desculpe-me pelo incômodo.
Ela sorriu, nos deu licença e fechou a porta. Mais uma vez eu segurava outro papel em
mãos. Ainda era um enigma se ele me levaria até Tina Walters. Muito breve, eu
descobriria.
Atendendo
aos pedidos de Harry, resolvemos voltar para agência. Ele estava mais
preocupado que eu. Por incrível que
pareça, o serviço não era prioridade e eu não me importava tanto assim. O que
eu tinha em mãos poderia dar um fim a todas as minhas dúvidas. Eu não poderia
perder uma chance assim, não agora.
Interrompi
o trajeto e decidi que iria até a residência de Walters. Styles me olhava
preocupado e queria intervir mas eu não permiti.
-Acho
que você deve ir até a agência e assumir o controle por um dia. Não será tão
difícil. Você é bom no que faz e tem condições suficientes de fazer isso por
mim. Só por hoje, não mais do que isso.
Ele me olhava aflito.
-Mas
Amber... Como estará o seu estado de espírito quando isto terminar? Será que
você terá condições para continuar a sua vida, sabendo de tudo? Isto vale à
pena? Seja sincera, Amber. Ele segurava o meu braço, chamando a minha atenção. Nossos olhares se encontraram novamente e
quase me perdi na beleza dos seus olhos. Tentei me recompor.
-Eu não
sou uma fracassada! Eu darei um jeito de digerir tudo de uma forma ou de outra.
Eu realmente preciso saber o que aconteceu com meus pais, Styles. Isso é muito
importante para mim. Muito mesmo. Tirei sua mão do meu braço e respirei fundo.
Ele continuou me olhando por alguns minutos e em seguida,
recostou-se no banco.
-Tudo
bem. Esta é uma decisão sua. Eu preciso respeitar. Mesmo que eu não queira.
Seguimos
até o centro. Parei em frente ao
residencial indicado. Era um prédio novo, com design interessante. Fiquei me perguntando como ela conseguiu um
apartamento naquele lugar.
Imagem do residencial de "Tina Walters"
Desci do carro e pedi a Harry que fosse até a agência. No
final do expediente, nos encontraríamos em frente ao prédio. Ele assentiu e me
olhou preocupado. Esbocei um sorriso e dei sinal para que ele fosse embora. Por
trás de seus óculos, pude ver um semblante triste, em agonia. Ele partiu em
silêncio. A partir daquele momento, eu
estava sozinha. Seria eu e Tina Walters partilhando do mesmo metro quadrado,
esclarecendo todo o alvoroço. Hora do show!




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