segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Jar Of Memories - Capítulo 15: Revelations (Part I)



            

Imagem do bairro onde a personagem Amelia reside
 Créditos: sound-vision.blogspot.com


            Sentei-me no sofá que Amelia havia nos oferecido. Harry sentou ao meu lado, analisando minhas reações. Ele também estava curioso apesar de saber pouco sobre o caso. Eu olhava firme para a ex-jornalista tentando buscar qualquer tipo de informação falsa, caso ela pensasse em fazer isso.

                -Eu não sei sobre a Tina. Não por agora. Faz muito tempo que a vi, antes de ser despedida do jornal. Era 1995. Ela estava nos principais tablóides do país por namorar um estudante bem mais novo do que ela. Todos a julgavam e a chamavam de cretina por ter causado o acidente dos seus pais e por estar envolvida com outra pessoa três anos depois da morte de John. Ele olhava fixamente para mim, e por fim olhou para baixo. – Se eu não me engano, acho que tenho o endereço de onde ela morava, mas reitero: ela pode não morar mais lá. Afinal, faz muito tempo que estive na casa dela.

                -Qual foi a última vez que falou com ela? Depois do acidente? Perguntei, expressando curiosidade.

                -Sim, estive com ela semanas depois, pois, a morte de John e Amy causou grande comoção por parte da audiência. Ela não quis falar muito, só disse que seu pai dava em cima dela e que havia prometido se divorciar de Amy para ficar com ela. Quando Amy descobriu foi até a casa dela e pediu que ela se afastasse de John. Walters disse sobre a promessa de John a Amy, que saiu aos prantos, dizendo que iria tirar satisfações. E depois, você sabe: algumas horas se passariam e eles estariam mortos.

Eu fiquei estática e senti uma lágrima cair do meu rosto. Minha garganta doía, pois tentava engolir o choro. Agora sim, eu precisava encontrar essa desgraçada.



                -Bom, isso ajuda. Eu gostaria que você fornecesse o endereço dela, por favor. Disse eu, cabisbaixa. Harry apoiou seu braço sobre o meu ombro e sibilou que tudo ficaria bem.

Amelia foi até o quarto e voltou alguns minutos depois com um pequeno papel na mão.

                -Aqui está o endereço. Se a encontrar, diga a ela que fui eu. E que ela não merece nada do que conquistou. Ela arruinou uma família e isso é imperdoável. Seus olhos marejavam. – Não conheci Amy, mas, sei que ela tem uma filha linda que merece saber o que aconteceu antes de sua morte. Ela me abraçou fortemente e pude sentir o quanto ela estava sendo honesta com suas palavras.

                -Saiba que eu sinto muito, Amber. Muito mesmo. Perdoe-me se te chateei com alguma coisa que escrevi. Eu era pressionada a publicar tudo o que acontecia, e o meu chefe selecionava sobre o quê e como escrever. Sei que isso não justifica, mas quero que saiba que estou torcendo para que a encontre e que ela te conte tudo. Você merece saber da verdade. Mais do que qualquer outra pessoa.

                Despedimos de Amelia e fomos andando até o carro. Eu olhava para o endereço em mãos, aflita. Será que eu realmente queria saber da verdade? E se eu me magoasse mais ainda por descobrir a traição do meu pai e o sofrimento da minha mãe? Isso me levaria a algum lugar? Meus pensamentos estavam a todo vapor, quando Styles me interrompeu:



                -Amber, você quer que eu dirija?

                -Sim, quero. Acho que não tenho condições. Não agora. -Disse eu, enxugando as lágrimas.

                Seguimos rumo ao endereço dado por Judd e chegamos a uma casa simples, sem grandes ornamentações. Descemos do carro e fomos andando em um pequeno caminho até chegarmos à porta. Harry perguntou se eu queria tomar a frente e assenti. Respirei fundo e toquei a campainha. Nenhum sinal. Toquei mais uma vez. Nenhum sinal. O desespero bateu forte. Tentei encontrar alguma informação com alguns vizinhos. Fui até a casa ao lado e toquei o interfone. Uma senhora atendeu e disse que iria nos receber. Ela abriu a porta e perguntou o que queríamos.

                -Bom dia! Em que posso ajudar?

            -Bom dia! Eu sou filha de um casal que faleceu em um acidente em 1991. A história gerou uma repercussão por se tratar de uma discussão calorosa que meus pais tiveram por causa de uma moça, o possível pivô da separação. Ela costumava morar aqui, certo?

                - Ela morava aqui sim. Mas devido ao assédio da mídia, ela se mudou com a sua filha. Elas foram para um bairro situado no centro da cidade. Acho que tenho o endereço comigo, pois, eu a visitava sempre, mesmo com tudo o que aconteceu. Ela segurava o queixo, pensativa. – Aguarde um instante, vou pegar o endereço.

                Enquanto eu aguardava, Harry tocou o meu ombro.

                -Tem certeza que quer continuar? Nós podemos parar agora e irmos trabalhar. Assim você esquece um pouco isso. Eu não conheço a história, mas, é notável a sua dor, Amber. Não consigo te ver sofrendo. Ele ajeitava os óculos e cruzava os braços, olhando para mim. Trocamos olhares, quando fomos interrompidos pela senhora, que pigarreou.

                -Bom, aqui está. Pode ser que ela tenha se mudado, pois, ainda é procurada pela imprensa marrom, que só quer “ver o circo pegar fogo”. É tudo o que sei, Srta.?

                -Srta. Hünderberg. Agradeço a ajuda. Desculpe-me pelo incômodo.

Ela sorriu, nos deu licença e fechou a porta. Mais uma vez eu segurava outro papel em mãos. Ainda era um enigma se ele me levaria até Tina Walters. Muito breve, eu descobriria.

                Atendendo aos pedidos de Harry, resolvemos voltar para agência. Ele estava mais preocupado que eu. Por incrível que pareça, o serviço não era prioridade e eu não me importava tanto assim. O que eu tinha em mãos poderia dar um fim a todas as minhas dúvidas. Eu não poderia perder uma chance assim, não agora.

                Interrompi o trajeto e decidi que iria até a residência de Walters. Styles me olhava preocupado e queria intervir mas eu não permiti.

                -Acho que você deve ir até a agência e assumir o controle por um dia. Não será tão difícil. Você é bom no que faz e tem condições suficientes de fazer isso por mim. Só por hoje, não mais do que isso.
Ele me olhava aflito.

                -Mas Amber... Como estará o seu estado de espírito quando isto terminar? Será que você terá condições para continuar a sua vida, sabendo de tudo? Isto vale à pena? Seja sincera, Amber. Ele segurava o meu braço, chamando a minha atenção. Nossos olhares se encontraram novamente e quase me perdi na beleza dos seus olhos. Tentei me recompor.

                -Eu não sou uma fracassada! Eu darei um jeito de digerir tudo de uma forma ou de outra. Eu realmente preciso saber o que aconteceu com meus pais, Styles. Isso é muito importante para mim. Muito mesmo. Tirei sua mão do meu braço e respirei fundo.

Ele continuou me olhando por alguns minutos e em seguida, recostou-se no banco.

                -Tudo bem. Esta é uma decisão sua. Eu preciso respeitar. Mesmo que eu não queira.

                Seguimos até o centro.  Parei em frente ao residencial indicado. Era um prédio novo, com design interessante. Fiquei me perguntando como ela conseguiu um apartamento naquele lugar.


 Imagem do residencial de "Tina Walters"
    





       Desci do carro e pedi a Harry que fosse até a agência. No final do expediente, nos encontraríamos em frente ao prédio. Ele assentiu e me olhou preocupado. Esbocei um sorriso e dei sinal para que ele fosse embora. Por trás de seus óculos, pude ver um semblante triste, em agonia. Ele partiu em silêncio. A partir daquele momento, eu estava sozinha. Seria eu e Tina Walters partilhando do mesmo metro quadrado, esclarecendo todo o alvoroço. Hora do show!



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